Bush pedirá à Turquia que não cruze fronteira com o Iraque

Diante das ameaças turcas de fazerofensivas militares no Iraque contra rebeldes curdos, opresidente dos Estados Unidos, George W. Bush, vai assegurar aoprimeiro-ministro da Turquia na segunda-feira que ajudará acombater os militantes, mas insistirá para que o governo turcoevite incursões no país ocupado. O premiê turco, Tayyip Erdogan, que se reúne com Bush naCasa Branca, já deixou claro que quer ações concretas contra oscurdos, que em solo iraquiano vêm lançando ataques contra aTurquia. Se Erdogan sair da reunião insatisfeito, pode haver sériasrepercussões para o esforço de Bush de estabilizar o Iraque,que finalmente tem obtido progressos. A Turquia, segundo maior Exército da Otan, mandou até 100mil soldados para a fronteira com o Iraque, com o apoio detanques, artilharia e aeronaves. Erdogan está sob forte pressãopública para agir contra o Partido dos Trabalhadores doCurdistão (PKK) devido a uma série de ataques contra soldadosturcos. No mês passado, guerrilheiros do PKK mataram pelo menos 12soldados e capturaram oito. Os oito foram libertados pelosrebeldes no domingo, atitude que pode amenizar a pressão sobreo governo turco. Os EUA já pediram à Turquia que evite cruzar a fronteiracom o Iraque, temendo que a região, uma das áreas mais calmasdo país, seja desestabilizada, mergulhando o Oriente Médio todonuma crise. As autoridades turcas já indicaram que a reunião é a últimachance de evitar o ataque militar. Diante da Casa Branca, pelo menos cem manifestantesagitavam bandeiras curdas e cantavam "Viva o Curdistão" e"Abaixo Erdogan". "Estamos preocupados com a ameaça representada pelosterroristas do PKK", disse Dana Perino, porta-voz da CasaBranca. "Eles devem ser erradicados. Vamos trabalhar com aTurquia e com os iraquianos para garantir que não haja umrefúgio para o PKK naquela região." Se a Turquia desafiar o desejo dos EUA e lançar um ataque,será mais um revés para Bush, que já ficou numa posiçãodesconfortável com a decisão do presidente do Paquistão, PervezMusharraf, de estabelecer um governo de exceção.

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