Bush tenta acordo entre palestinos e israelenses em cúpula

Conferência para o Oriente Médio realizada nesta terça nos EUA pretende iniciar criação do Estado Palestino

Agências internacionais,

27 de novembro de 2007 | 07h58

Depois de meses de diplomacia, os mais altos oficiais de mais de 40 nações participam nesta terça-feira, 27, de um histórico debate nos Estados Unidos em que o presidente americano, George W. Bush, espera iniciar o primeiro acordo de paz entre israelenses e palestinos em sete anos.   Veja também:  Israel e palestinos manifestam otimismo sobre cúpula  Participação do Brasil em Annapolis é 'começo', diz Amorim  Entenda a conferência de paz de Annapolis   Cronologia das negociações de paz entre Israel e palestinos   Segundo a BBC, palestinos e israelenses têm defendido posições diferentes em relação aos resultados da conferência - enquanto os palestinos pedem o estabelecimento de um cronograma para a criação de um Estado próprio e a assinatura de uma declaração conjunta de princípios, Israel tem optado por não se comprometer com essas demandas.   Expressando otimismo, Bush encontrou-se separadamente com as duas partes do conflito na segunda-feira, o premiê israelense, Ehud Olmert, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. A delegação palestina, a mais otimista, assinalou que os dois lados estavam perto de acordo sobre um documento que servirá de base para as futuras negociações. Até a noite de segunda-feira, porém, ainda havia divergências, como a objeção palestina quanto a mencionar Israel como "Estado judeu" e a objeção israelense quanto a fixar o prazo de um ano para chegar a um acordo.   Após um encontro separado com Bush, Olmert assinalou que as negociações sobre um Estado palestino devem começar logo após o encontro de Annapolis. "Certamente, daqui a muito pouco tempo, teremos de sentar (para negociar) e haverá mais encontros entre as equipes dos dois lados", disse o líder israelense.   Cerca de 50 países, entre eles o Brasil, e organizações foram convidados para a reunião de Annapolis. Boa parte dos convidados, entretanto, tem pouca ou nenhuma ligação com o conflito entre israelenses e palestinos. Síria e Arábia Saudita, dois países que não reconhecem Israel, confirmaram a participação no encontro, o que foi interpretado como um sinal importante do apoio árabe à conferência de paz.   O programa oficial começa nesta terça com uma reunião entre Bush, Olmert e Abbas. Em seguida, o presidente americano fará um discurso e deixará a Presidência do encontro nas mãos da secretária de Estado, Condoleezza Rice.   Em Gaza, o líder do grupo radical islâmico Hamas, Ismail Haniyeh, disse que os palestinos não aceitarão nenhuma das decisões tomadas em Annapolis. "As pessoas acreditam que essa reunião é inútil e nosso povo não precisa seguir as recomendações e compromissos feitos lá", disse Haniyeh. Os líderes do Hamas, que controla a Faixa de Gaza, afirmaram que Abbas não está autorizado a fazer nenhuma concessão nas negociações de paz.   Ceticismo   Um dos principais problemas que cerca a conferência, segundo analistas, é o de que os principais interessados em que o encontro produza resultados conclusivos estão severamente enfraquecidos, a começar pelo próprio anfitrião do encontro, o presidente americano, George W. Bush.   ''A sabedoria popular diz que governos em fim de mandato, como a atual administração americana, ou 'governos cachorro-morto', como costumamos chamar por aqui, têm pouco a oferecer e pouco a fazer", diz Geoffrey Anderson, diretor da Foundation for Middle East Peace. "Mas cabe a presidentes romper com convenções e fazer história''.   No entanto, poucos esperam manobras ousadas por parte do líder americano. Representantes da Casa Branca têm procurado nos últimos dias reduzir expectativas em torno do encontro e de possíveis avanços diplomáticos que poderão ser obtidos na conferência.   Se Bush perdeu força, a situação dos líderes de Israel e dos territórios palestinos pode ser ainda pior. ''A ironia é que tanto os israelenses como os palestinos estão sendo representados por líderes fracos'', afirma Phyllis Bennis, do Institute for Policy Studies e autora do livro Undestanding the Palestinian-Israeli Conflict.   O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, se vê abalado por um escândalo de corrupção e por cisões dentro de sua própria coalizão. Os representantes da direita em seu gabinete se opõem radicalmente a concessões em temas polêmicos, como, por exemplo, a divisão de Jerusalém e a transformação do lado oriental da cidade na futura capital de um Estado palestino.   Desde a tomada do poder pelo movimento Hamas na Faixa de Gaza, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, perdeu o controle, na prática, de 1,5 milhão de palestinos. E viu sua credibilidade ficar seriamente abalada.   ''A conferência não oferecerá qualquer avanço, mesmo porque ela não foi feita com esse intuito'', diz Bennis. No entender da analista, a única maneira de a reunião trazer mudanças seria através de uma possível pressão por parte dos Estados Unidos para que Israel pusesse um fim à ocupação dos territórios palestinos.   Protestos em Israel   Na véspera da abertura da conferência de Annapolis, Jerusalém deixa transparecer sinais tensão e expectativa. Na segunda-feira, a presença de policiais em vários pontos da cidade, realizando revistas a pessoas e bloqueios de trânsito ao longo do dia, coincidia com rumores não confirmados de que terroristas árabes poderiam voltar a agir. Nos locais de maior afluxo de turistas, a vigilância foi reforçada. E, ao final do dia, Jerusalém ficou agitada por conta de um protesto a céu aberto, feito por israelenses contrários à retomada do processo de paz no Oriente Médio nos moldes do que se desenha em Annapolis.     Cerca de 15 mil pessoas foram à manifestação, recrutadas na sua maioria em assentamentos que estão em áreas consideradas irregulares e que podem voltar ao controle dos palestinos. Irritados com a perspectiva de desocupação dessas áreas, os manifestantes, na maioria judeus ortodoxos, gritaram slogans como "território dividido nunca mais" ou "não levantem a mão para Jesuralém".   (com Laura Greenhalgh, enviada especial do Estadão)

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