Campanha eleitoral israelense termina nesta segunda-feira

Kadima, da chanceler Livni, espera votos de esquerda em tentativa de parar candidato da direita favorito

Agências internacionais,

09 de fevereiro de 2009 | 09h37

 Os líderes políticos israelenses fizeram seu apelo final aos eleitores indecisos nesta segunda-feira, 9, véspera da eleição geral que definirá o próximo primeiro-ministro do país. O favorito na disputa é o ex-premiê Benjamin "Bibi" Netanyahu, líder do partido oposicionista de direita Likud, que viu sua vantagem nas pesquisas se reduzir para um empate técnico com a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, do centrista Kadima.   Veja também: Voto de protesto impulsiona ícone da ultradireita em Israel Livni tenta reagir com ''fator Shalit''  Acordo por Shalit depende da soltura de 4 presos do Hamas Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Veja os principais candidatos a premiê de Israel Conheça os principais partidos israelenses    O número de indecisos era recorde, de 20% do total de eleitores. Segundo o jornal israelense Haaretz, o Kadima espera derrotar o Likud com votos que pertenceriam ao Partido Trabalhista e o Meretz, além dos votos de eleitores esquerdistas indecisos. Fontes do partido dizem que essa parcela do eleitorado deve optar pelo Kadima como meio de "parar Netanyahu". As últimas pesquisas apontaram que o Likud chegar em primeiro lugar, mas terá apenas duas cadeiras a mais que o segundo colocado, o Kadima, Em seguida, viria o ultradireitista Avigdor Lieberman, os trabalhistas do ministro da Defesa Ehud Barak, e o partido religioso sefardita Shas, com 9.   "É possível alcançar a vitória", disse a ministra de Relações Exteriores e líder do Kadima, Tzipi Livni. A ministra tenta se tornar a segunda mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra em Israel, após Golda Meir fazê-lo, nos anos 1970. "Se o Kadima conseguir apenas um mandato a mais que o Likud, nós seremos capazes de formar uma coalizão governista pois somos um partido centrista que pode agregar a direita e a esquerda", afirmou Tzipi à rádio pública.   A mídia local diz que Netanyahu está preocupado com a perda de espaço na reta final, o que poderia se traduzir em um governo instável e breve. Com isso, o candidato procurou enfatizar suas credenciais de defensor de uma política linha-dura no quesito segurança. Netanyahu visitou as Colinas de Golan nesta segunda-feira, afirmando que nunca cederá o território que Israel capturou da Síria na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexou em 1981. "Qualquer um que me queira como primeiro-ministro deve votar no Likud. Do contrário, ele terá Livni e o Kadima no poder", afirmou.   Apesar da acirrada disputa pela liderança, pesquisas mostram que legendas conservadoras devem obter uma confortável maioria entre as 120 cadeiras do Parlamento. Bastante fragmentado, o sistema político de Israel depende da formação de amplas coligações partidárias para garantir apoio de mais da metade do Legislativo ao primeiro-ministro. O maior partido na Knesset (o Parlamento israelense), encabeça um gabinete apoiado por legendas menores, que garantem a maioria em troca de ministérios no governo. Em Israel, os votos vão para o partido e não para o candidato.   A violência entre Israel e o Hamas, apontam analistas, impulsionou a candidatura do ultradireitista Lieberman, do Israel Beiteinu. Em 25 de dezembro - dois dias antes do início dos bombardeios contra Gaza -, projeções davam ao partido de Lieberman 11 cadeiras no Parlamento, colocando-o praticamente em quinto lugar. Mas a última sondagem mostra que o Israel Beiteinu conquistará 18 cadeiras, consolidando-se como a terceira maior legenda de Israel. O ultradireitista ainda não anunciou se apoiaria Netanyahu ou Livni. Deslumbrado com seu desempenho, o direitista pode negociar com a candidata do Kadima um posto melhor do que com o Likud, como o de chanceler ou ministro da Defesa. O imigrante da ex-União Soviética também não se dá com Bibi. Sabendo que perde votos para Liberman, do Partido Israel Beiteinu (Nossa Casa), Bibi lançou nos últimos dias uma campanha para convencer os eleitores que um voto no candidato direitista pode favorecer a Livni, e não ele.   Jogado para um quarto lugar nos levantamentos até agora, Ehud Barak e o seu Partido Trabalhista podem ter o pior resultado da história da agremiação considerada a principal responsável pela construção de Israel. Atual ministro da Defesa, Barak, mesmo sabendo que a sua chance de ser premiê é quase nula, busca garantir uma posição relevante na votação para, em uma futura coalizão, conseguir pelo menos manter o posto de ministro da Defesa.   A campanha eleitoral foi encerrada com a violência entre forças israelenses e militantes palestinos como cenário. Nesta segunda, um membro da Jihad Islâmica de 22 anos for morto no norte de Gaza por um ataque da Força Aérea de Israel, segundo fontes do território palestino. Israel afirma que investiga o incidente.

Tudo o que sabemos sobre:
Israeleleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.