Capitão de barco líbio desiste de ir para Gaza, diz Marinha de Israel

Segundo fonte, barco que levava ajuda humanitária para a faixa irá descarregar material em porto egípcio

Efe,

13 de julho de 2010 | 17h44

Imagem de 9 de julho do barco grego Amalthea, rebatizado de "Esperança"

 

JERUSALÉM- A Marinha israelense garante que o barco que até a tarde desta terça-feira, 12, se dirigia a Gaza com ajuda humanitária de uma ONG presidida por um filho do presidente líbio, Muammar Kadafi, aceitou descarregar sua carga no porto egípcio de el-Arish.

 

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"Em conversa por rádio com a Marinha, o capitão aceitou desviar e dirigir-se para El Arish", disse à Agência Efe uma fonte militar que pediu anonimato e que afirmou que as patrulhas israelenses "seguirão seus passos até confirmar" o desvio.

 

Segundo cálculos do Exército israelense, só às 4h locais se saberá se o capitão cumprirá sua promessa ou se se trata de um "truque" para tentar chegar à faixa.

 

O navio estava a cerca de cem milhas do litoral israelense, em águas internacionais, quando a Marinha entrou em contato por rádio com seu capitão no início da tarde e pediu para que ele se identificar e revelar seu destino.

 

"Estabelecemos contato inicial com eles. Perguntamos a ele para onde vão, quem são e o que levam", disse à Efe um porta-voz militar israelense ao confirmar que tinham iniciado "o processo de identificação".

 

O porta-voz acrescentou que "foi deixado claro a eles que, eventualmente, como última alternativa, seríamos obrigados a abordar o barco".

 

Desde então, a embarcação avançou e se encontra a cerca de 75 milhas de El Arish e a 90 milhas de Gaza, por isso, até que se aproxime da costa, o Exército não poderá confirmar qual será seu destino final.

 

O barco, propriedade de uma empresa grega, é de bandeira moldávia e foi fretado por uma ONG islâmica presidida por Saif Kadafi, filho do presidente líbio.

 

A embarcação transporta 2 mil toneladas de ajuda humanitária e partiu da Grécia no sábado para o porto egípcio de El Arish, segundo a documentação portuária.

 

No entanto, os membros da ONG reconheceram que seu destino era a Faixa de Gaza, submetida por Israel a um bloqueio naval, aéreo e terrestre desde 2007, ano em que o movimento islâmico Hamas tomou o controle do território palestino das mãos do moderado presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

 

No dia 31 de maio, nove ativistas turcos morreram no assalto israelense a uma frota de navios que levaria ajuda humanitária à Faixa de Gaza, fato que indignou a comunidade internacional e levou ao levantamento parcial do bloqueio à faixa.

 

Várias organizações, entre elas iranianas e libanesas, vêm anunciando desde então que voltariam a tentar romper o bloqueio israelense, mas por enquanto apenas este barco saiu em direção à região.

 

Nove ativistas de uma ONG estão no barco: seis líbios, um nigeriano, um marroquino e um argelino.

 

O capitão da embarcação, que também confirmou que seu destino era Gaza, é de nacionalidade cubana e os outros 11 tripulantes são haitianos ou panamenhos.

 

De Gaza, o deputado islamita Jamal al-Khudary, chefe de um comitê popular contra o cerco ao território palestino, declarou hoje que os ativistas líbios a bordo do barco confirmaram que ainda estavam em águas internacionais.

 

Al-Khudary afirmou que tinham sido cercados por navios da Marinha israelense, que exigiram ao capitão que mudasse de rumo, em direção a El Arish ou, caso contrário, seriam abordados.

 

Os ativistas, ressaltou a fonte antes do último anúncio do porta-voz militar, rejeitaram mudar o rumo e expressaram sua intenção de seguir navegando em direção à faixa palestina para entregar alimentos e remédios que transportavam.

 

O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, qualificou a iniciativa do barco com ajuda líbia de "provocação desnecessária", já que os produtos podem chegar à faixa palestina através do porto israelense de Ashdod ou do egípcio de El Arish, depois da "comprovação de que não levam armas".

 

"O barco só leva ajuda humanitária e seus ativistas não têm intenção de realizar nenhum ato violento", respondeu Youssef Sowan, diretor da ONG líbia, em entrevista hoje a uma emissora de Gaza.

 

Por sua parte, al-Khudary pediu à comunidade internacional que "impeça uma catástrofe (no barco líbio)" como a que ocorreu no ataque à frota que levaria ajuda humanitária a Gaza, alegando que "os navios são legais e só desafiam o bloqueio ilegal israelense".

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