Carros-bomba matam ao menos 112 pessoas em Bagdá

Carros-bomba mataram ao menos 112 pessoas em Bagdá nesta terça-feira, informou a polícia, deixando poças de sangue, partes de ônibus e pedaços de corpos espalhados pelas ruas em um lembrete brutal da ameaça da insurgência no Iraque.

SUADAD AL-SALHY, REUTERS

08 de dezembro de 2009 | 14h42

As explosões, detonadas por militantes suicidas, atingiram áreas movimentadas próximas a prédios do governo iraquiano.

Os ataques enfraquecem as alegações do primeiro-ministro, Nuri al-Maliki, de ter levado segurança ao país no período que antecede a eleição marcada para 6 de março e deve assustar magnatas estrangeiros do petróleo a caminho do Iraque este fim de semana para um importante leilão de contrato.

"Entramos numa loja segundos antes da explosão, o teto desabou sobre nós e perdemos a consciência. Depois ouvi gritos e sirenes por todo lado", disse Mohammed Abdul Ridha, uma das 425 pessoas feridas na série de ao menos quatro explosões.

O general-de-divisão Qassim al-Moussawi divulgou um número menor de mortes: 63. Não era possível explicar a discrepância com os números apresentados pelas fontes da polícia. O Ministério da Saúde disse que era difícil determinar o número exato de vítimas porque muitos corpos estavam em pedaços.

Em meio à fumaça e ao barulho das sirenes, as equipes de resgate recolhiam os mortos, colocando-os em sacos pretos. Poças de sangue formaram-se perto dos microônibus em chamas, viaturas e dezenas de carros retorcidos em um dos locais atacados. A explosão deixou uma enorme cratera.

"Essas gangues estão praticando atos criminosos que expressam seu fracasso e decepção... depois do que o povo iraquiano e seus poderes políticos conquistaram", disse o vice-presidente Adel Abdul-Mahdi num comunicado.

Analistas afirmam que os ataques, similares aos atentados na capital iraquiana em outubro e agosto, pretendem abalar a confiança no governo iraquiano liderado por muçulmanos xiitas.

As explosões anteriores foram atribuídas a insurgentes islâmicos sunitas e a membros do partido Baath, de Saddam Hussein, que foi banido.

"É o mesmo estilo e tem os mesmos alvos vitais. Há uma motivação política - mostrar que o governo fracassou em proporcionar segurança", disse o analista Hazim al-Nuaimi.

Em um dos ataques, o militante suicida explodiu seu veículo no estacionamento de um tribunal após passar pelo posto de vigilância, informou a polícia.

Outra explosão, de um carro-bomba estacionado, atingiu um prédio usado provisoriamente pelo Ministério das Finanças depois que o edifício principal foi devastado nos ataques de agosto. Um terceiro militante explodiu seu carro perto de um centro de treinamento para juízes.

A primeira explosão do dia atingiu um posto policial no sul de Bagdá, cerca de 30 minutos antes das outras três. Ela também foi provocada por um militante que se encontrava dentro de um carro repleto de explosivos.

No geral, a violência no Iraque caiu drasticamente nos últimos dois anos, e o total de mortes civis no mês de novembro foi o mais baixo desde a invasão norte-americana, em 2003.

As forças de segurança iraquianas, no entanto, têm dificuldades em evitar ataques grandes que, segundo especialistas, exigem um sólido trabalho de inteligência para impedi-los.

Os ataques desta terça foram os piores em Bagdá desde 25 de outubro, quando dois caminhões-bomba mataram 155 pessoas no Ministério da Justiça e nos escritórios do governador de Bagdá.

(Reportagem adicional de Ayla Jean Yackley, Aseel Kami e Ahmed Rasheed)

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