Casa Branca diz que Cabul precisa ser parceiro confiável

A estratégia do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para o Afeganistão e a decisão de enviar mais tropas norte-americanas dependem da competência do governo de Cabul, disse um alto assessor da Casa Branca neste domingo.

REUTERS

18 de outubro de 2009 | 16h58

A questão fundamental não é "quantos soldados você envia, mas se tem um parceiro afegão confiável", disse o chefe de gabinete Rahm Emanuel no programa "State of the Union" da CNN, acrescentando que o país não possui o exército, a força policial e os serviços adequados.

As alegações de fraude na eleição presidencial de agosto mergulharam o Afeganistão na incerteza política no momento em que Obama estuda o contingente de tropas para lutar contra o Taliban.

Mas Emanuel disse ser importante que o resultado da eleição seja visto como legítimo e crível, cabendo aos afegão decidir se haverá um segundo turno entre o presidente Hamid Karzai e o ex-ministro das Relações Exteriores Abdullah Abdullah ou uma negociação entre os candidatos.

"Pior seria se o povo afegão pensasse que o rumo escolhido foi determinado pelos EUA", disse ele no programa "Face the Nation" da rede CBS.

A revisão da Casa Branca sobre a estratégia para o Afeganistão e as recomendações sobre o nível das tropas prosseguirá em reuniões da próxima semana e da seguinte, acrescentou Emanuel, que disse à CNN ser "leviano" decidir o envio de mais tropas sem uma análise aprofundada.

"Basicamente, essa guerra de oito anos está ao Deus dará. Não há uma força de segurança, um exército, os serviços que são importantes para os afegãos se tornarem um verdadeiro parceiro", disse ele.

As tropas lideradas pelos EUA depuseram o governo do Taliban após os ataques de 11 de setembro por oferecer um refúgio à Al Qaeda, mas o movimento islâmico se reorganizou em uma insurgência impressionante.

As baixas já alcançam a cifra de 68 mil soldados dos EUA no Afeganistão, e os norte-americanos estão se cansando da guerra. O general Stanley McChrystal, comandante dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, recomendou o envio de mais 40 mil soldados ao país.

(Reportagem de Jackie Frank e Doug Palmer)

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