Caso Sakineh: jornal iraniano diz que Carla Bruni deveria morrer

'Kayhan' volta a criticar primeira-dama francesa após chamá-la de prostituta

Associated Press

31 de agosto de 2010 | 13h39

 

TEERÃ - O jornal iraniano Kayhan voltou a criticar Carla Bruni, primeira-dama da França, nesta terça-feira, 31, e desejar sua morte por defender uma iraniana condenada à pena capital por adultério e assassinato.

 

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O jornal, que já havia chamado a esposa de Nicolas Sarkozy de prostituta, voltou a insultar a primeira dama e disse que ela "merece o mesmo destino" que Sakineh Mohammadi Ashtiani, a iraniana condenada.

 

Carla foi uma das celebridades francesas a defender Sakineh abertamente. Em uma carta, a primeira-dama pediu o fim da punição por apedrejamento no Irã. "Derramar sangue, humilhar uma mãe? Por quê? Porque você viveu, amou, porque você é uma mulher, uma iraniana? Me recuso a aceitar isso", escreveu.

 

O Kayhan, cujo diretor-geral é apontado pelo supremo líder iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, respondeu às críticas de Carla com um editorial no sábado, quando escreveu "Prostitutas francesas entram na questão dos direitos humanos", criticando o comportamento da francesa.

 

Nesta terça, quando a França disse repudiar as declarações do Kayhan, o jornal voltou a tocar no assunto, falando sobre "os relacionamentos ilícitos com várias pessoas" de Carla Bruni e culpando-a por causar o divórcio de Sarkozy com sua segunda esposa.

 

"Estudar o passado de Carla Bruni mostra claramente a razão pela qual esta mulher imoral está apoiando a iraniana que foi condenada à morte por adultério e por cumplicidade com o assassinato de seu marido. De fato, ela também merece morrer", publicou o Kayhan.

 

O Ministério das Relações Exteriores do Irã criticou a mídia nacional pelos ataques. "Insultar funcionários de outros países e usar palavras indecentes não é algo endossado pela República Islâmica do Irã", afirmou um porta-voz do ministério. "Nós não acreditamos que o uso de palavras indecentes e insultantes seja uma atitude correta", disse o funcionário. "A mídia pode criticar as políticas hostis de outros países, mas evitando o uso de palavras insultantes. Isso não é correto."

 

Os comentários da chancelaria francesa se referem aos primeiros insultos. O governo do Irã negou qualquer ligação com as difamações e pediu cautela no uso da linguagem ao jornal.

 

Entenda o caso

 

Sakineh foi condenada em 2006 por manter relações ilícitas com dois homens após ficar viúva, o que, segundo a lei islâmica, também é considerado adultério. Primeiramente a pena foi de 99 chibatadas, depois convertida em morte por apedrejamento e, posteriormente, alterada para enforcamento.

 

Em julho deste ano, seu advogado Mohammad Mostafaei tornou público o caso em um blog na internet, o que chamou a atenção da comunidade internacional. Perseguido pelas autoridades iranianas, ele fugiu para a Turquia, de onde buscou asilo político na Noruega.

 

O governo brasileiro ofereceu refúgio a Sakineh, o que foi rejeitado por Teerã. A pena de morte foi mantida por um tribunal de apelações, que acrescentou ao caso a acusação de conspiração para a morte do marido.

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