Arquivo/AP
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Cenário: ricos e perigosos, radicais movimentam tesouro de US$ 2 bi

Recursos são resultado da venda quase clandestina do petróleo e do gás extraídos de jazidas do Iraque, das quais o EI se apossou

Roberto Godoy, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2015 | 16h11

O Estado Islâmico é rico, muito rico. O tesouro do movimento radical acumula mais de US$ 2 bilhões em reservas bem aplicadas no mercado financeiro, segundo cenário produzido pela Rand Corporation, agência privada americana de inteligência e análise estratégica. A carteira é o resultado da venda quase clandestina do petróleo e do gás extraídos de jazidas do Iraque, das quais o EI se apossou. Há outras fontes de recursos, como o dinheiro de doações feitas por simpatizantes de 90 diferentes nações - entre elas, o Brasil. A contabilidade do grupo radical registra a renda obtida por meio da extorsão exercida sobre empresas multinacionais, o pagamento de resgates milionários e ainda o roubo de valores de grande liquidez, como certos títulos europeus emitidos ao portador. Governos do Oriente Médio, da Ásia e da África, também subsidiam o Estado Islâmico, “ainda que de forma oficiosa e secreta”, de acordo com outro documento da inteligência militar americana a que o “Estado” teve acesso. 

A gestão da economia do movimento e do califado - território pretendido pelo líder Abu Bakr-al Baghdadi, do Iraque à Síria - foi abalada há dez dias quando um dos chefes secundários do EI, conhecido por Abu Sayyaf, foi morto durante uma operação conduzida por pouco mais de 20 militares da Força Delta americana no território sírio controlado pelos terroristas. “Ele era uma espécie de ministro da Fazenda do Estado Islâmico”, afirmou um ex-oficial do time especial Seal, da Marinha dos EUA. Em seu poder havia papéis e registros acumulados em sofisticados computadores que confirmam o estudo da Rand Corporation, apresentado na Câmara dos EUA. No cenário, é apresentado o crescimento da fortuna do EI a partir do momento em que Baghdadi, um ex-professor universitário, assume o comando supremo, em 2008. Pouco antes, o caixa do movimento acusava recebimentos de US$ 800 mil a US$ 1 milhão por mês. Em setembro, um minucioso trabalho de planejamento financeiro foi apreendido em Mossul, em instalações tomadas do EI por tropas da coalizão pró-Iraque, demonstrava que o fluxo de entrada de dinheiro havia crescido para US$ 1 milhão por dia. Atualmente o total diário é estimado em até US$ 3 milhões - o montante não considera os valores referentes às grandes aplicações.

Governos europeus e dos EUA, adotaram ações de repressão às finanças do EI. Uma delas é considerar terroristas pessoas e organizações que trabalhem com os extremistas. Outra é o fortalecimento de sistemas e serviços de coleta de informações nos mercados internacionais. Na pauta entra o aumento do contingente de especialistas nessa área, trabalhando com os governos que dão combate ao terror. E, claro, as intervenções armadas. Em uma delas, Baghdadi teria sido gravemente ferido. Faz diferença, mas não muita. Um dia depois, o guia já tinha um sucessor. O nome dele é Abu Sulaiman al-Naser. 

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