Centenas participam de passeata da oposição no Irã

Centenas de iranianos saíram em passeata em direção a uma praça de Teerã nesta segunda-feira, numa manifestação proibida de apoio aos levantes populares no Egito e Tunísia, mas seu caminho foi bloqueado por policiais e forças de segurança, contaram testemunhas.

REUTERS

14 de fevereiro de 2011 | 12h34

A marcha foi uma prova de força da oposição reformista, que não sai às ruas desde dezembro de 2009, quando oito pessoas foram mortas. Mas ainda é pouco provável que as forças de segurança iranianas empreguem todos os meios possíveis para impedir protestos.

Os líderes oposicionistas Mirhossein Mousavi e Mehdi Karroubi aproveitaram o apoio oficial iraniano aos enormes protestos de rua em países árabes para convocar manifestações de solidariedade, mas as autoridades rejeitaram seu pedido.

Apesar disso, a oposição renovou a convocação ao protesto. As autoridades iranianas avisaram à oposição que deve evitar criar uma "crise de segurança", reativando os protestos que explodiram após a última eleição presidencial e que foram os maiores distúrbios no país desde a revolução islâmica de 1979.

Centenas de manifestantes saíram pelas ruas Azadi (Liberdade) e Enghelab, ambas formando um bulevar largo que leva à Praça Azadi, um ponto tradicional de encontro em concentrações de protesto. Situada no centro de Teerã, a praça é dominada por um enorme arco de mármore branco.

"Centenas de pessoas estão indo em passeata em direção às ruas Azadi e Enghelab", disse uma testemunha. "Há centenas de policiais antimotim na área também, mas não estão acontecendo confrontos."

Centenas de manifestantes também se reuniram na cidade central de Isfahan, segundo testemunhas.

Em Teerã, a polícia e os homens da força de segurança estatal estavam de prontidão.

"Há dezenas de policiais e forças de segurança na avenida Vali-ye Asr. Eles bloquearam as entradas das estações de metrô da área", disse uma testemunha à Reuters mais cedo, aludindo a uma avenida larga que atravessa a capital iraniana.

O site de Mousavi na Internet, Kalame, disse que o líder oposicionista e sua mulher, Zahra Rahnavard, foram impossibilitados de juntar-se à marcha.

"Mirhossein Mousavi e Zahra Rahnavard ainda estão tentando sair de sua casa e unir-se aos protestos, mas forças de segurança os estão impedindo. As forças de segurança chegaram a ameaçar os guardas de Mousavi, indicando que Mousavi e sua mulher não devem deixar a casa de maneira alguma", disse o site.

O Líder Supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, descreveu os levantes no Egito e na Tunísia como um "despertar islâmico" comparável à revolução iraniana de 1979 que depôs o xá, apoiado pelos EUA.

Mas a oposição vê os levantes como sendo mais semelhantes a seus protestos após a eleição de junho de 2009, que afirma ter sido fraudada em favor do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

A Guarda Revolucionária, fiel a Khamenei, reprimiu os protestos de 2009. Duas pessoas foram enforcadas e dezenas de partidários da oposição foram encarcerados.

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