Chanceler brasileiro se reúne com primeiro-ministro palestino

Celso Amorim ressalta importância de cessar-fogo em Gaza; Lula defende inclusão de Hamas em processo de paz

Agências internacionais,

12 de janeiro de 2009 | 08h47

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, defendeu nesta segunda-feira, 12, a "urgência" de um cessar-fogo na Faixa de Gaza e manifestou a solidariedade do Brasil com o povo palestino. Ele se reuniu com o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, em Ramallah, segundo afirmou a agência AFP. Segundo o diplomata, a tarefa mais urgente neste momento é alcançar o cessar-fogo entre Israel e os militantes islâmicos do Hamas.   Veja também: Lula diz que Brasil quer colaborar para acordo de paz Israel manda reservistas e avança em centros urbanos Custo da guerra é de US$ 8 milhões por dia  Síria quer mostrar poder  'Bomba em escola da ONU foi erro de mira'  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques       O ministro das Relações Exteriores afirmou no domingo para a chanceler israelense, Tzipi Livni, que há diferenças na visão do Brasil e de Israel sobre a ofensiva contra o Hamas na Faixa de Gaza, bastante criticada pelo governo brasileiro. "Nós condenamos o terrorismo, mas não podemos ficar indiferentes com a morte de civis palestinos", afirmou Amorim. O ministro disse ter mencionado ainda para Livni casos de brasileiros que estão na Faixa de Gaza e querem sair.O encontro em Jerusalém ocorreu horas depois de Amorim se reunir com o presidente sírio, Bashar Assad, e seu chanceler, Walid Muallem, em Damasco. O objetivo do governo brasileiro é servir de mediador no conflito e ajudar na obtenção de um cessar-fogo.   A visita de Amorim não ganhou destaque na imprensa israelense. Apenas repórteres brasileiros e uma jornalista espanhola esperavam por ele no hotel King David, o mais elegante de Jerusalém, e no Ministério das Relações Exteriores, onde ocorreu a reunião. Apesar de em Israel o Brasil não ter tanta importância no campo diplomático, no mundo árabe, em especial na Síria e no Líbano, as posições brasileiras são muito respeitadas.   Nesta segunda, Amorim pediu pela aplicação da resolução aprovada na quinta-feira pela ONU, pedindo pela trégua e a abertura das fronteiras de Gaza para a entrada de ajuda humanitária.   Presidente Lula   O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda a promoção de uma reunião em que todos os lados envolvidos nos conflitos no Oriente Médio, inclusive o Hamas, negociem a paz. Para o presidente, é preciso incluir nas negociações todas as pessoas que tenham ligação com os conflitos. "Nós precisamos detectar quem quer os conflitos e colocar essas pessoas numa mesa de negociação junto com as forças políticas que têm influência tanto na Autoridade Palestina, sobretudo no Hamas, e no povo de Israel para que a gente possa começar uma conversação e encontrar uma fórmula para que eles possam viver em paz e cada um desenvolver o seu país", disse Lula em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente.   Lula lembrou que enviou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a um giro no Oriente Médio para demonstrar que o Brasil está "interessado em participar ativamente" de um eventual processo de paz, Apesar de já ter criticado a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente argumentou que a instituição precisa exercer um papel de destaque. "A decisão do Conselho de Segurança de definir a necessidade de um acordo de paz é importante que seja respeitada tanto pelo lado palestino quanto pelo lado de Israel", disse.   O presidente acrescentou que gostaria que árabes e judeus vivessem em paz no Oriente Médio assim como convivem no Brasil. "Precisamos deixar claro o nosso reconhecimento pela existência do Estado de Israel e a nossa disposição de ajudar a construir o Estado palestino", destacou. "O povo palestino merece essa chance."   (Com Gustavo Chacra, de O Estado de S. Paulo, e Reuters)

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