Chanceler britânico pede a líbios que abandonem Gaddafi

A Grã-Bretanha declarou nesta quinta-feira que a deserção do ex-ministro das Relações Exteriores da Líbia, Moussa Koussa, irá encorajar outros próximos a Muammar Gaddafi a abandonar o líder líbio.

ADRIAN CROFT, REUTERS

31 Março 2011 | 10h26

O Ministro de Relações Exteriores britânico, William Hague, disse que Koussa, que voou da Tunísia até o pequeno aeroporto de Farnborough, ao sul de Londres, na quarta-feira, vinha sendo seu canal de comunicação com o governo de Gaddafi nas últimas semanas e que falou com ele com frequência.

O ex-espião líbio não recebeu imunidade contra processos na Grã-Bretanha, acrescentou Hague. Há dúvidas sobre o quanto ele sabe sobre a explosão de um avião sobre a cidade escocesa de Lockerbie em 1988 que matou 270 pessoas.

"Ele disse estar renunciando ao cargo. Estamos discutindo isso com ele. Encorajamos todos ao redor de Gaddafi a abandoná-lo", declarou Hague em uma entrevista coletiva, acrescentando mais tarde que Koussa está em um "local seguro" não revelado na Grã-Bretanha.

Uma fonte do governo disse não estar claro para que país ele irá. Acredita-se que Koussa foi a Londres com o filho.

"Sua renúncia mostra que o regime de Gaddafi, que já sofreu deserções significativas para a oposição, está fragmentado, sob pressão e implodindo", disse Hague. "Gaddafi deve estar se perguntando quem será o próximo a abandoná-lo."

Koussa, que foi educado no Ocidente e fala inglês, esteve envolvido nas conversas que levaram à soltura do líbio condenado pelo atentado de Lockerbie de uma prisão escocesa por compaixão em 2009.

A fonte do governo britânico disse não haver acusações pendentes contra Koussa e que ninguém está tentando entrevistá-lo na Grã-Bretanha.

O porta-voz rebelde Mustafa Gheriani, falando à Reuters no quarter-general rebelde da cidade de Benghazi, no leste da Líbia, disse que Koussa tem sangue nas mãos, acusando-o de envolvimento em mortes e tortura na Líbia e assassinatos de membros da oposição exilados no exterior.

Noman Benotman, amigo e analista do centro de estudos britânico Quilliam, disse que Koussa desertou porque se opôs aos ataques do governo contra civis.

"Esta foi uma atitude muito corajosa de Koussa e tem potencial para causar um impacto devastador no moral do regime de Gaddafi", afirmou Benotman.

(Reportagem adicional de Angus MacSwan em Benghazi e William Maclean em Londres)

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