Chanceler diz que arsenal nuclear no Irã não ameaça Israel

Artigo publicado em jornal israelense afirma que Tzipi Livni acredita que premiê exagera na questão nuclear

Efe,

26 de outubro de 2007 | 14h29

Em contradição às suas declarações públicas, a ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, teria reconhecido informalmente que um arsenal nuclear no Irã não seria uma ameaça para o país, segundo a edição desta sexta-feira, 26, do jornal Haaretz. No suplemento de fim de semana do jornal, um extenso artigo afirma que a ministra teria criticado em particular, há vários meses, que o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, exagera sobre a questão nuclear iraniana. Para a chefe da diplomacia israelense, Olmert, que é seu colega de partido (Kadima), tenta atrair a sociedade israelense apelando para seu medos mais profundos enquanto o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, diz que "Israel deve ser riscado do mapa". O país, ainda marcado pelo Holocausto, pressiona constantemente nos fóruns internacionais para aumentar as sanções econômicas a Teerã. Efraim Halevy, ex-chefe do serviço de inteligência de Israel no exterior (Mossad), disse na semana passada durante uma palestra em Jerusalém que o país "não pode ser destruído, por muitas razões". "Algumas delas são conhecidas, e outras podem ser presumidas", afirmou, supostamente em alusão ao arsenal atômico israelense. As autoridades israelenses não confirmam nem desmentem a existência de material nuclear, mas analistas afirmam que há entre 200 e 300 ogivas nucleares no país. Conferência da paz O jornal também apresenta em seu artigo outros dois documentos valiosos. O primeiro faz referência a diálogos com a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e explica a escolha de Livni, este mês, como chefe da equipe israelense que negociará um texto para a conferência internacional de paz que será realizada até o final do ano na base militar de Annapolis (Estados Unidos). "(A ministra de) Exteriores representará o primeiro-ministro e o governo de Israel e atuará como guia do diálogo com os representantes palestinos", diz o documento. O segundo é uma minuta que o assessor ministerial de Livni, Tal Becker, preparou para ela. O texto se mostra pessimista sobre as possibilidades de se conseguir um acordo de paz com os palestinos em um futuro próximo. A análise de Becker - um dos possíveis futuros negociadores com a ANP - contrasta com o otimismo do presidente palestino, Mahmoud Abbas, que afirmou em várias ocasiões que poderia conseguir um acordo de paz com Israel em 2008.

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