Chanceler garante que Israel não tem intenção de atacar o Irã

Na Rússia, ultranacionalista diz que programa nuclear iraniano é um problema mundial, e não apenas israelense

Agência Estado e Associated Press,

03 Junho 2009 | 14h30

Israel não pretende bombardear o Irã, afirmou nesta quarta-feira, 3, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman. Com isso, ele recuou de sugestões de que o país poderia atacar um inimigo que vem se dedicando ao desenvolvimento de armas nucleares.

 

Falando no fim de uma visita de três dias à Rússia, Lieberman afirmou que o programa nuclear iraniano é um problema do mundo, e não apenas de Israel. Segundo ele, outras nações não devem esperar que Israel resolva a questão. "Não pretendemos atacar o Irã, e ninguém irá usar Israel para resolver seus problemas", disse Lieberman. "Não precisamos disso. Israel é um país forte, podemos nos proteger", acrescentou.

 

"Mas o mundo deve entender que a entrada do Irã no clube de países com programas nucleares irá desencadear uma corrida armamentista, uma corrida louca de armamentos não convencionais no Oriente Médio. Isso é uma ameaça para a ordem mundial, um desafio para toda a comunidade internacional. Então não queremos ser responsáveis por resolver um problema global", disse.

 

"Acredito que aqueles a quem o programa nuclear iraniano mais assusta são Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, entre outros países. O Irã é um fator de instabilidade no Oriente Médio, sem nenhuma conexão com Israel", afirmou.

 

O chanceler também criticou o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, por negar o Holocausto. Ahmadinejad, que vem repetidamente questionando a existência do Holocausto e pedindo que Israel seja "varrido do mapa do Oriente Médio", afirmou nesta quarta-feira que o Holocausto foi uma "fraude".

 

O presidente disse a estudantes estrangeiros em Teerã que Israel usa "a grande fraude do Holocausto" para atrair aliados no Ocidente. Lieberman disse que Ahmadinejad patrocina uma conferência anual em Teerã pregando a negação do Holocausto. "Isso é inaceitável e devemos lutar contra isso."

 

Lieberman também apontou que questões como os programas nucleares do Irã e da Coreia do Norte e a instabilidade no Paquistão, Afeganistão e Somália representam uma ameaça mundial maior do que o conflito entre israelenses e palestinos, sugerindo que os Estados Unidos deveriam focar mais em outros problemas.

 

Suas declarações ocorrem enquanto Barack Obama inicia sua primeira visita ao Oriente Médio como presidente dos EUA. Segundo o chanceler, Israel e EUA têm relações "muito amigáveis", mas criticou a postura dos EUA em relação ao conflito entre israelenses e palestinos. "Acho que o maior erro (dos EUA) é a crença de que os assentamentos judaicos são um obstáculo para qualquer solução de paz no Oriente Médio."

 

Durante sua visita à Rússia, Lieberman se encontrou com o presidente russo, Dmitry Medvedev, com o primeiro-ministro Vladimir Putin e o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov. Israel quer que a Rússia aumente a pressão sobre o Irã sobre seu programa nuclear. A declaração de que Israel não pretende atacar o Irã agradará ao Kremlin, que vem alertando que um ataque ao país seria um erro potencialmente catastrófico.

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