Chanceleres árabes vão a Israel discutir plano de paz

Enviados egípcios e jordanianos da Liga Árabe, em uma histórica visita a Israel para apresentar um plano árabe de paz, defenderam na quarta-feira a fixação de um cronograma a ser seguido nas eventuais negociações sobre a criação de um Estado palestino. "Precisamos de um cronograma preciso, de um cronograma rápido. E conclamamos Israel a não desperdiçar essa oportunidade histórica. O tempo não está do nosso lado", afirmou o ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Abdelelah al-Khatib, em Jerusalém. Ao lado dele estava o chanceler do Egito, Ahmed Aboul Gheit. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou acreditar que há "uma chance, no futuro próximo, de que o processo amadureça, transformando-se em negociações capazes de tratar, realmente, das fases necessárias para a criação de um Estado palestino". Os comentários de Olmert foram os mais claros dele sobre a intenção de Israel de relançar as negociações sobre o status final dos territórios palestinos com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, cuja facção, a Fatah (secular), perdeu no mês passado o controle sobre a Faixa de Gaza para o grupo islâmico Hamas. Mas, segundo Olmert, não há "nenhum cronograma ou estágios estabelecidos ainda" para que se iniciem as discussões sobre as fronteiras permanentes e o futuro de Jerusalém e dos refugiados palestinos, todas essas questões polêmicas dentro do Estado judaico. Nem Israel nem os enviados árabes quiseram afirmar que tipo de progresso poderia ser feito rumo à criação de um Estado em vista da divisão entre os palestinos traduzida agora territorialmente: o Hamas controla a Faixa de Gaza; a Fatah, a Cisjordânia. A visita de um dia a Israel realizada por Gheit e Khatib foi a primeira feita por representantes da Liga Árabe para defender o plano de paz da entidade. Os dois enviados concederam uma entrevista coletiva ao lado da ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni. A iniciativa árabe oferece a Israel a normalização das relações diplomáticas com todos os países árabes em troca da retirada total das terras ocupadas pelo Estado judaico na Guerra dos Seis Dias (1967), da criação de um Estado palestino e de uma "solução justa" para os refugiados palestinos. "Queremos ouvir as idéias dos senhores e desejamos expressar nossas idéias, de forma a podermos continuar avançando", afirmou Olmert aos enviados dentro do gabinete dele. Segundo o premiê, o plano árabe possuía elementos positivos. Mas, citando preocupações demográficas e com sua segurança, Israel já rechaçou a possibilidade de os refugiados palestinos regressarem para suas antigas casas, localizadas no que é hoje o Estado judaico, e já afirmou desejar manter intactos os grandes blocos de colonos instalados na Cisjordânia. (Com reportagem de Allyn Fisher-Ilan)

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