Chávez diz que Irã ajuda Venezuela com programa nuclear civil

Em entrevista ao Le Figaro, venezuelano defende direito de Teerã desenvolver projeto atômico para energia

09 de setembro de 2009 | 08h22

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que o Irã ajuda o governo de Caracas a desenvolver um programa nuclear civil e defendeu o direito dos dois países de produzir energia atômica. As declarações foram feitas ao jornal francês Le Figaro e publicadas nesta quarta-feira, 9.

 

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Chávez, aliado do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, visitou Teerã no último fim de semana. Na entrevista, o venezuelano agradece o líder iraniano pela transferência de tecnologia entre os dois países, lembrando que foi assinado um novo acordo sobre o tema durante a viagem ao país. A Venezuela trabalha em um projeto preliminar para a construção de uma "vila nuclear" com a ajuda do Irã, para que o povo venezuelano conte no futuro com esse maravilhoso recurso para uso pacífico, afirmou Chávez ao jornal.

 

O venezuelano ainda defendeu o direito do Irã de produzir energia nuclear como faz a França e muitos países do mundo, assim como pode a Venezuela. Ele ainda se declarou contra um programa atômico com fins militares, considerando que o uso da bomba atômica seria uma catástrofe, e propôs um desarmamento generalizado. Chávez disse estar seguro de que o Irã não está produzindo armas nucleares e propôs um pacto aos europeus e americanos para a total eliminação de armemento atômico.

 

Oriente Médio

 

Chávez acusou Israel de genocídio contra o povo palestino, afirmando que o bombardeio de Gaza no ano passado foi um ataque espontâneo. "A questão não é se os israelenses querem exterminar os palestinos. Eles o estão fazendo abertamente", disse Chávez em entrevista ao Le Figaro.

 

O presidente da Venezuela, que acabou de visitar o Oriente Médio e países árabes, contestou a alegação israelense de que seus ataques a Gaza foram uma resposta ao lançamento de foguetes por parte do grupo islâmico Hamas, que controla o enclave litorâneo. "O que foi aquilo se não genocídio? Os israelenses procuravam uma desculpa para exterminar os palestinos", disse Chávez, acrescentando que Israel deveria sofrer sanções.

 

Israel lançou uma ofensiva contra a Faixa de Gaza em 27 de dezembro de 2008, com o objetivo declarado de conter o lançamento de foguetes da região contra o sul de Israel. O ataque aéreo, terrestre e marítimo durou 22 dias, deixando cerca de 1.300 palestinos mortos, segundo fontes médicas.

 

Chávez disse reconhecer o direito de Israel existir, assim como todos os países, mas acrescentou que o Estado judeu deve respeitar o direito do povo palestino de autodeterminação.

 

O presidente venezuelano afirmou desejar mais transparência dos Estados Unidos em sua política externa, colocando que estava decepcionado com as recentes medidas dos norte-americanos na América do Sul, incluindo o uso de bases militares na Colômbia. "Infelizmente, a chegada de Obama trouxe consigo muita esperança, mas pouca mudança", opinou.

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