Chávez diz que Irã 'não é ameaça ao mundo' e pede menos agressões ao país

Presidente venezuelano lamentou acusações de que Teerã 'esteja fazendo a bomba atômica'

Efe e AP,

12 Maio 2010 | 17h59

CARACAS- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, voltou hoje a defender o Irã e pediu menos "agressões" ao regime dos aiatolás, que para ele "não é a ameaça do mundo".

 

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Em discurso durante a assinatura de acordos no setor petroleiro em Caracas, Chávez lamentou as acusações de que o Irã "está fazendo a bomba atômica".

 

"Por que os que o acusam não dão o exemplo? O Irã não é a ameaça do mundo", afirmou o presidente venezuelano, que qualificou de muito interessante a iniciativa brasileira de evitar "novas tensões" e destacou a próxima viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Teerã.

 

Lula deve insistir no próximo domingo ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que só a partir do "diálogo" o conflito gerado pelo programa nuclear desenvolvido pelo Irã será superado.

 

O porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, disse na segunda que Lula será recebido por Ahmadinejad para dialogar também sobre o prejuízo que novas sanções podem gerar ao Irã.

 

Chávez já defendeu várias vezes o governo iraniano, com o qual reforçou relações políticas e econômicas, e se tornou nos últimos anos um dos principais aliados do regime de Ahmadinejad na América.

 

"Eixo do mal"

 

O ministro de Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, disse nesta quarta que Coreia do Norte, Síria e Irã estão cooperando de maneira a formarem o novo "eixo do mal".

 

Lieberman disse que os três países são a maior ameaça ao mundo na atualidade, já que estão criando e compartilhando armas de destruição em massa. "Vimos este tipo de cooperação há dois anos ou até mesmo três meses com o avião da Coreia do Norte interceptado em Bangcoc com todo o tipo de armas destinadas ao Hamas e ao Hezbollah", disse o chanceler.

 

No dia 12 de dezembro, as autoridades tailandesas descobriram 35 toneladas de armas em um avião que havia saído de Pyongyang. Os documentos informavam que o voo ia para o Irã, mas as autoridades deste país negaram que estivessem importando armas. A Coreia do Norte é proibida pela ONU de exportar armas.

 

Lieberman não deu mais detalhes sobre as alegações e disse que o Irã poderia receber duras sanções por parte do Conselho de Segurança da ONU. "Irão não é um problema de Israel. É a maior ameaça do mundo. Cremos que a melhor maneira de lidar com isso é com sanções", disse o chanceler.

 

"Nem um centavo"

 

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta quarta que qualquer resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) punindo o Irã por sua recusa em abandonar o enriquecimento de urânio "não valerá um centavo".

 

Em discurso na cidade iraniana de Yasouj, Ahmadinejad disparou sua mensagem claramente direcionada às potências que pressionam por resoluções. "Vocês devem saber que suas sanções não valerão um único centavo. Se vocês pensam que a campanha contra o Irã nos forçará a recuar, estão errados. A nação iraniana não vai recuar um único centímetro a sua postura", disse o líder conservador.

 

O iraniano disse ainda que a "dominação maléfica e satânica" dos Estados Unidos sobre o mundo em breve desaparecerá. Ele alertou as tropas americanas para que deixem o Oriente Médio, ou receberiam um "tapa na cara".

 

As potencias ocidentais pressionam por resoluções contra o Irã por conta de seu programa nuclear. Elas alegam que o país persa enriquece urânio para produzir armas, mas Teerã nega e afirma que mantém complexos de produção de energia atômica apenas para fins pacíficos.

 

Recentemente, o Conselho de Segurança da ONU, cujos membros permanentes são Rússia, China, Reino Unido, EUA e França, tem se reunido para discutir a aplicação de sanções contra o país. Russos e chineses têm se mostrado contra as medidas, mas diplomatas revelaram há algumas semanas que a adoção das resoluções está próxima.

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