Chefe do Exército britânico diz que derrotar a Al-Qaeda é impossível

Ex-chefa das forças da Otan disse que Ocidente pode apenas aspirar contenção de ameaça a segurança

Efe

14 de novembro de 2010 | 12h54

LONDRES- O chefe das forças armadas britânicas, o general David Richards, disse que derrotar a Al-Qaeda é impossível e o que o Ocidente pode aspirar é conter as ações violentas da rede terrorista inspirada Osama Bin Laden.

 

Em uma entrevista publicada hoje no The Sunday Telegraph, o chefe da forças armadas britânicas acrescentou que o Reino Unido continua sob a ameaça do terrorismo islâmico há pelo menos 30 anos.

 

Richards, que era o chefe das forças da Otan no Afeganistão, disse que os esforços militares e de segurança na verdade servem para conter a ameaça terrorista e para os cidadãos do Reino Unido continuam a ter uma vida segura.

 

"Não se enganem, a ameaça global da Al-Qaeda e seus afiliados terroristas são uma ameaça duradoura (...) a segurança nacional do Reino Unido e os nossos aliados corre risco", diz ele.

 

Richards acredita que este não é uma guerra convencional, e que a pergunta que as autoridades política e militar tem a fazer é "se é necessário derrotar (o terrorismo islâmico) no sentido de alcançar uma vitória clara e definitiva."

 

"Eu diria que é desnecessário e pode nunca acontecer", disse o general, que então pergunta: "Será que podemos conter a ameaça, a ponto de nossas vidas e de nossas crianças transcorrer de forma segura? Acredito que podemos" .

 

Richards, que comparou o esforço feito pelas tropas aliadas no Afeganistão, com os soldados que lutaram contra o nazismo e o fascismo na II Guerra Mundial, critica a abordagem política e militar no país asiático.

 

Ambos os líderes do governo e militares "são culpados de não entender plenamente o que estava em jogo" e têm a responsabilidade já que o povo afegão "está cansado" da incapacidade da Otan para estabilizar o país de forma permanente.

 

No entanto, considera que a morte de 343 soldados britânicos desde a invasão em 2001 não foi em vão.

 

"Se pensar só por um minuto que a maioria do povo afegão não nos quer mais, então eu, e todos, diríamos que é hora de sair, nós falhamos, mas não há nenhuma indicação de que isto é assim", diz.

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