Chefe do Hamas quer deixar o poder, dizem fontes

O líder do Hamas em exilo, Khaled Meshaal, está cansado dos desafios políticos da liderança do grupo e não buscará a reeleição, afirmaram neste domingo fontes diplomáticas e políticas.

NIDAL AL-MUGHRABI, Reuters

23 de setembro de 2012 | 12h30

Nos últimos cinco meses, o Hamas, que governa a Faixa de Gaza desde 2007, está realizando em segredo uma votação de liderança entre os ativistas no território, na Cisjordânia ocupada, en prisões israelenses e em países árabes e estrangeiros.

Meshaal, que lidera o Hamas desde 1996 de várias capitais árabes, disse em um encontro de autoridades no Cairo, na semana passada, que não tem o desejo de permanecer como chefe do grupo e que sua decisão de não disputar a eleição era final, afirmou uma fonte próxima ao Hamas.

"Ele (Meshaal) disse para escolherem outro líder", afirmou a fonte.

Meshaal e outras autoridades do Hamas não fizeram comentários públicos sobre sua futura liderança em encontro no Cairo.

Neste ano, Meshaal enfureceu a liderança do Hamas em Gaza ao concordar que o principal rival do grupo, o movimento Fatah, do presidente palestino Mahmoud Abbas, possa liderar um futuro governo de unidade.

O Egito acolheu um pacto de reconciliação entre Hamas e Fatah, que se enfrentaram em 2007 em uma breve guerra civil que deixou o grupo islâmico com o controle da Faixa de Gaza, e Abbas com responsabilidade pela Cisjornânia.

Mas a implementação do pacto, que visa uma parceria governamental e novas eleições palestinas, foi impedida pela falha de ambos os lados em realizar as suas partes.

Meshaal também apoiou o que críticos no Hamas chamaram de aprovação para as conversas de Abbas com Israel, que agora estão paralisadas. Meshaal fez isso ao dizer, em 2011, que 20 anos após uma conferência internacional sobre o Oriente Médio, os palestinos queriam dar à paz uma nova chance.

"Meshaal ficou impaciente com algumas de suas autoridades em Gaza, que recentemente tentaram minar decisões que ele tomou em nome do grupo", afirmou uma fonte diplomática na região.

O Hamas tem repetidamente negado rixas internas.

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