Chefe militar no Iraque sugere redução de tropas em março

David Petraeus, comandante da missão no Iraque diz que segurança melhorou; relatório indica fracasso

Agências internacionais,

05 de setembro de 2007 | 03h07

O comandante militar americano no Iraque, general David Petraeus, sugeriu nesta terça-feira, 4, em entrevista à rede de televisão ABC, que poderá recomendar a redução no número de tropas dos Estados Unidos no país em março. Os comentários de Petraeus representam o sinal mais recente de que os comandantes das Forças Armadas norte-americanas acreditam que a decisão do presidente George W. Bush de enviar mais 30 mil soldados ao território iraquiano no começo de 2007 havia melhorado a situação do país o suficiente para reduzir o contingente militar.   Quando o entrevistador perguntou se março de 2008 seria a data para a redução no número de tropas, Petraeus respondeu: "seus cálculos estão mais ou menos corretos".  "Há limites no que nossas forças podem fazer", disse o general, afirmando que suas recomendações deverão levar em conta "o esforço exigido das tropas americanas". Petraeus disse ainda na entrevista que a situação de segurança no Iraque melhorou. "Nas últimas oito semanas, verificou-se uma redução no número de ataques. Chegou-se a um ponto em que a taxa de incidentes está entre as mais baixas em um ano." Em viagem na Austrália para participar de um encontro de líderes da Ásia e do Pacífico, Bush disse na quarta-feira ver sinais de progresso no Iraque, tanto na frente militar quanto na política. E, mais uma vez, citou a possibilidade de reduzir o número de soldados estacionados ali, atualmente em cerca de 160 mil.   Na próxima semana, o general Petraeus deverá apresentar ao Congresso americano seu aguardado relatório sobre o impacto do reforço das tropas na contenção da violência e nos avanços políticos em Bagdá.   Avaliação do conflito As declarações Petraeus foram feitas pouco depois da divulgação de um relatório elaborado por um órgão supervisor do Congresso americano, segundo o qual o governo iraquiano fracassou na maior parte das metas estabelecidas pelos Estados Unidos para monitorar o progresso militar e político do país. O documento, cujo esboço há havia sido antecipado na semana passada pelo jornal americano The Washington Post, diz que, das 18 metas, o governo iraquiano fracassou em 11, cumpriu quatro parcialmente e apenas três totalmente. Segundo o relatório, o progresso político no Iraque tem sido insatisfatório e a taxa de violência permanece alta. Entre as metas que não foram cumpridas estão, conforme o documento, a redução da violência sectária e a aprovação de leis sobre a divisão da receita proveniente da exploração de petróleo no país.   Vários relatórios e debates sobre a situação no Iraque e os resultados obtidos pelas tropas americanas no país estão previstos para este mês. O documento divulgado nesta terça-feira contrasta com um relatório elaborado pela Casa Branca em julho, segundo o qual o Iraque havia cumprido oito das metas estabelecidas pelos Estados Unidos. Reação   Bush vê-se cada vez mais pressionado pelos democratas e por alguns republicanos para começar a retirar os soldados norte-americanos do Iraque. Já se passaram mais de quatro anos de guerra, durante os quais 3.700 militares dos EUA e dezenas de milhares de iraquianos foram mortos. O presidente americano reagiu às conclusões do relatório. Nesta terça-feira, em visita à Austrália, o presidente voltou a defender sua estratégia para o Iraque. Segundo o presidente, há sinais de progresso na situação de segurança no país e no governo iraquiano. Bush disse que o fato de os legisladores iraquianos terem aprovado 60 leis é uma mostra "de um governo que está começando a trabalhar". Bush disse ainda que a visita surpresa que fez ao Iraque, nesta segunda-feira, mostrou que a escalada na presença americana no país está realmente trazendo resultados. Durante essa visita surpresa ao Iraque, Bush chegou a afirmar que o número de tropas americanas poderia ser reduzido se as forças continuarem tendo sucesso nas operações no país. "O general Petraeus e o embaixador (Ryan) Crocker (dos Estados Unidos no Iraque) me dizem que, se esse tipo de sucesso que estamos vendo continuar, será possível manter o mesmo nível de segurança com menos forças americanas", disse o presidente. Depois, em um discurso, Bush explicou que "essas decisões serão baseadas em uma avaliação calma por comandantes militares sobre as condições no solo, não com uma reação nervosa de políticos de Washington a pesquisas de opinião e à imprensa." Segundo o correspndente da BBC Justin Webb, em Washington, os opositores da guerra deverão questionar o propósito da escalada americana no Iraque se os iraquianos não conseguem (conforme o relatório divulgado nesta terça-feira) aproveitar esse auxílio para encontrar soluções de longo prazo.   Matéria ampliada às 14h40.

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