China concorda em impor sanções ao Irã, segundo oficial dos EUA

China concorda em impor sanções ao Irã, segundo oficial dos EUA

Hu Jintao aceitou trabalhar em nova rodada de restrições a Teerã durante conversa com Obama

12 de abril de 2010 | 17h57

Reuters e Associated Press

 

Hu Jintao e Obama se reúnem durante cúpula nuclear. Foto: Alex Brandon/AP

 

WASHINGTON- A China compartilha as preocupações dos Estados Unidos sobre o programa nuclear do Irã e concordou em direcionar seus diplomatas a trabalharem para impor sanções do Conselho de Segurança da ONU contra Teerã, disse nesta segunda-feira, 12, um oficial da Casa Branca após conversações entre o presidente Barack Obama e seu colega chinês, Hu Jintao.

 

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O assistente de segurança nacional da Casa Branca, Jeff Bader, afirmou que os dois líderes conseguiram alcançar uma posição comum durante a reunião. De acordo com Bader, os chineses "estão preparados para trabalhar conosco", o que chamou de um outro sinal da unidade internacional a respeito das sanções.

 

Segundo a autoridade, Obama e Hu, que se encontraram durante a cúpula nuclear celebrada em Washington, conversaram sobre o Irã e discutiram a não-proliferação nuclear.

 

Bader classificou o encontro de uma hora e meia dos dois líderes como uma reunião "positiva e construtiva", envolvendo governantes que são "familiares e à vontade" entre eles.

 

"A resolução deixará claro para o Irã o custo de desenvolver um programa nuclear que viola as obrigações e responsabilidades de Teerã", disse Bader a jornalistas depois do encontro entre Hu e Obama. "Os chineses estão ativos na mesa em Nova York.

 

Jintao e Obama também fizeram um minuto de silêncio em honra aos 29 mineiros americanos mortos na semana passada no estado da Vírginia Ocidental, no pior desastre ocorrido em minas no país desde 1970.

 

Dessa forma, a China se mostrou estar preparada para se unir aos Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e Alemanha em uma quarta rodada de sanções da ONU contra Teerã.

 

 

O país, que tem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, estava recentemente relutante em se alinhar a Washington e às outras potências ocidentais na questão do programa nuclear iraniano.

 

O Irã afirma que seu programa nuclear é pacífico e não tem a finalidade de construir armas, mas as potências ocidentais acreditam que o desenvolvimento atômico do país tem encoberto o interesse de fabricar arsenais atômicos.

 

A cúpula, maior assembleia de líderes mundiais sediada nos Estados Unidos, teve seu primeiro resultado tangível com o anúncio da Ucrânia de renunciar a sua reserva de urânio altamente enriquecido até 2012, eliminando a maioria do material neste ano.

 

A vinda de Hu para assistir à conferência foi percebida como um sinal positivo em Washington, após as relações entre a China e os Estados Unidos terem sido abaladas por uma reunião de Obama com o Dalai Lama e a censura da China sobre o Google.

 

No entanto, ainda não está claro o quão longe irá Pequim para punir um país com o qual tem estreitos laços econômicos, já que o Irã é um dos principais fornecedores de petróleo da China.

 

Medidas específicas

 

Em uma coletiva de imprensa dada após o encontro, Obama afirmou que espera que a cúpula sobre segurança nuclear tenha como resultado "medidas específicas e concretas que estabeleçam um mundo um pouco mais seguro".

 

A poucos minutos de inaugurar oficialmente a cúpula com uma recepção aos representantes dos 47 países presentes, Obama se disse "impressionado" pela participação, que é a maior reunião de líderes internacionais nos Estados Unidos desde 1945.

 

"Creio que esse é um sinal da profunda preocupação que todos devemos ter sobre a possibilidade de um tráfico de materiais nucleares", disse Obama.

 

"Acredito que, no final, vamos ver cada país adotar ações muito específicas e concretas que farão o mundo um pouco mais seguro", destacou o líder.

 

Washington quer que a cúpula tenha como resultado medidas para garantir a segurança nuclear em um prazo de quatro anos, e evitar que materiais atômicos caiam em mãos de grupos terroristas.

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