China critica dalai-lama enquanto negocia com tibetanos

Governo do Tibete no exílio confirma fim da rodada de conversas com Pequim, mas não detalha discussões

Agência Estado e Associated Press,

02 de julho de 2008 | 14h33

O chefe do Partido Comunista da China no Tibete fez um novo ataque ao dalai-lama, líder espiritual tibetano, nesta quarta-feira, 2, ao mesmo tempo em que dois enviados do governo tibetano no exílio finalizavam em Pequim as conversações com funcionários chineses para reduzir as tensões no Tibete.  Veja também: A questão tibetana   O auto-proclamado governo do Tibete no exílio, que funciona na Índia, informou nesta quarta-feira que as conversações de dois dias em Pequim chegaram a um final mas não divulgou qual foi o resultado das reuniões com os chineses. O premiê do governo tibetano no exílio, Samdhong Rinpoche, deverá fazer comentários  à imprensa apenas após informar o dalai-lama sobre os resultados da reunião. O jornal do governo chinês Tibet Daily publicou várias citações do chefe comunista linha-dura Zhang Qingli, nas quais o chefe do partido em Lhasa afirma que os partidários do dalai-lama conspiraram para provocar os motins contra o governo chinês em março, que deixaram pelo menos 22 pessoas mortas no Tibete e nas províncias chinesas vizinhas, segundo Pequim. "O incidente de 14 de março foi uma ação criminal violenta muito séria, executada pela claque do Dalai. O incidente organizado e orquestrado foi criado por separatistas tibetanos, com o apoio e a instigação das forças hostis do Ocidente," Zhang disse ao Tibet Daily.  Ele disse ainda que a violência foi planejada para ofuscar os Jogos Olímpicos de Pequim. "Em um momento sensível, eles abrigaram a intenção maléfica de transformar o incidente em um banho de sangue, para interromper as Olimpíadas de Pequim e destruírem a harmonia política e a estabilidade do Tibete," disse Zhang. As negociações têm especial importância diante dos desejos do governo de Pequim em receber os Jogos Olímpicos em agosto sem problemas. Alguns analistas afirmam que a China aceitou dialogar com representantes do dalai-lama com o propósito de atenuar as críticas causadas pela repressão registrada no Tibete em março. A China foi acusada de reprimir de maneira brutal os motins contra o governo chinês no Tibete. Enquanto o governo de Pequim afirma que 22 pessoas foram mortas na capital tibetana Lhasa, tibetanos que vivem no exílio afirmam que um número muito maior de pessoas perdeu a vida, tanto durante os protestos quanto na repressão que se seguiu. Pequim governa o Tibete com mão de ferro desde a década de 1950, quando tropas da República Popular da China irromperam no país da região do Himalaia. O Dalai Lama fugiu para a China em 1959, após um levante fracassado contra o governo chinês. A demanda tibetana atual, apoiada pelo dalai-lama, é que o governo chinês concorde com alguma forma de autonomia ao Tibete, que permitirá à população local a prática livre do seu idioma, religião e cultura. Mas Pequim tem incluído o líder espiritual em uma conspiração "separatista" para tornar o Tibete independente.var keywords = "";

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