China procura rebeldes e pede 'transição estável' na Líbia

A China defendeu uma "transição estável de poder" na Líbia e disse na quarta-feira estar em contato com o Conselho Nacional de Transição, no mais claro sinal até agora de que Pequim passou a reconhecer os rebeldes do país como legítimo governo líbio, no lugar do regime de Muammar Gaddafi.

REUTERS

24 de agosto de 2011 | 08h58

"(A China) respeita a escolha do povo líbio e espera uma transição estável de poder", disse o porta-voz Ma Zhaoxu em nota divulgada pelo site da chancelaria (www.mfa.gov.cn).

"Sempre conferimos significado ao importante papel do Conselho Nacional de Transição na solução dos problemas líbios, e mantemos contato com ele", disse Ma, horas depois de as forças rebeldes ocuparem o quartel-general de Gaddafi, cujo paradeiro é desconhecido.

"Esperamos que o futuro novo governo adote medidas efetivas, reúna as forças de diferentes facções e restaure a ordem social o mais rapidamente possível", acrescentou.

A China ainda não reconheceu oficialmente o novo governo, mas as declarações de Ma e de outros funcionários indicam que Pequim na prática abandonou Gaddafi.

"Esperamos desempenhar um papel ativo na reconstrução da Líbia no futuro, junto com a comunidade internacional", disse Shen Danyang, porta-voz do ministério chinês do Comércio.

A China é o segundo maior consumidor de petróleo do mundo, e pelo menos 3 por cento da sua demanda no ano passado foi atendida pela Líbia.

Em telefonema ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o chanceler chinês, Yang Jiechi sugeriu que órgãos como a ONU, em vez de apenas os governos ocidentais, deveriam coordenar o envolvimento internacional na Líbia do pós-guerra.

Na quarta-feira, em conversa por telefone com o chanceler brasileiro, Antônio Patriota, Yang disse que o grupo Brics (as potências emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) deveria coordenar suas políticas em relação à Líbia e "exercer uma influência ativa", segundo a chancelaria chinesa.

Todos os países do Brics manifestaram preocupação com uma ampliação da campanha militar aérea da Otan na Líbia.

Na terça-feira, a China já havia pedido à Líbia que proteja os investimentos chineses, e disse que o comércio petrolífero beneficia ambos os países. A declaração foi uma resposta a um alerta de um rebelde líbio, segundo o qual empresas petrolíferas chinesas poderiam perder espaço no país em retaliação ao fato de Pequim não ter oferecido suficiente apoio aos insurgentes.

Mas Ahmed Jehani, dirigente rebelde encarregado da reconstrução, disse à Reuters que o novo governo irá honrar todos os contratos petrolíferos firmados durante a era Gaddafi, inclusive com empresas chinesas.

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