Choque entre tropas e milícia ameaçam cessar-fogo no Iraque

Operação contra o Exército Mahdi atinge as duas maiores cidades do país; facção pede por "revolta civil"

Agências internacionais,

25 de março de 2008 | 11h48

Fortes confrontos entre a maior milícia xiita, o Exército Mahdi, e o Exército iraquiano, com apoio de tropas americanas, atingiram as cidades de Basra e Bagdá nesta terça-feira, 24, as duas maiores do Iraque. Segundo a BBC, pelo menos 30 pessoas morreram na operação, que está sendo supervisionada pessoalmente pelo primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, e ameaça interromper o cessar-fogo da facção.  Veja também:Ocupação do Iraque  Soldados dos EUA falam do cotidiano no Iraque   A escalada e a intensidade da violência chegou até os moradores da capital do Iraque. Morteiros atingiram a protegida Zona Verde, situada no centro de Bagdá, e onde ficam os principais edifícios do governo e várias embaixadas ocidentais. Em Basra, cidade produtora de 90% do petróleo iraquiano, centenas de soldados e policiais promoveram uma operação contra militantes do Exército Mahdi. A ofensiva coloca em risco o cessar-fogo crucial para a recente queda nos índices de violência no Iraque tão exaltada pelo governo americano. A milícia convocou uma campanha de desobediência nacional, ameaçando incendiar poços petrolíferos e incitando todo o povo a realizar uma "revolta civil" no país se o governo não interromper a operação. Membros da organização de Sadr afirmaram que o cessar-fogo ainda está em vigência, mas ameaçaram o governo. "Se as demandas do povo não forem respeitadas pelo governo iraquiano, declararemos uma revolta civil em Bagdá e em todas as províncias", disse Sadr em nota. Foi imposto um toque de recolher de 24 horas, enquanto os militares e as forças de segurança do governo iraquiano levantam barreiras em alguns distritos da cidade. Segundo o New York Times, testemunhas em Basra afirmaram que aviões americanos sobrevoaram a cidade, que foi ocupada por veículos armados. Os civis buscaram refúgios em suas casas. Em Bagdá, a polícia e soldados montaram postos de vigilância a cada 100 metros. 15 mil soldados O general de divisão iraquiano Ali Ghaidan afirmou que a operação em Basra "foi um grande sucesso, mas ainda não há informações sobre mortos ou feridos e nem sobre o número de prisões". Segundo o correspondente da BBC em Bagdá Adam Brookes, três brigadas do Exército iraquiano foram enviadas da capital para Basra, para dar apoio à operação desta terça-feira. E acrescentou que até 15 mil soldados podem estar envolvidos na ofensiva.  O porta-voz militar britânico, major Tom Holloway, disse à BBC que aeronaves da coalizão estão patrulhando os céus de Basra, dando apoio às forças iraquianas. O porta-voz acrescentou que os militares britânicos, que devolveram o controle de Basra às forças iraquianas em dezembro de 2007 e atualmente estão concentrados no aeroporto, não têm soldados envolvidos na operação desta terça-feira. (Com The New York Times e BBC Brasil)

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