Cidade em oásis remoto viu família de Gaddafi, mas rapidamente

Ela chegou com a mãe e os irmãos, fugindo da fúria da nação de seu pai através do Saara. Alcançou um oásis remoto, onde deu à luz uma menina antes de partir outra vez para o deserto em uma caravana de veículos luxuosos.

LAMINE CHIKHI, REUTERS

04 Setembro 2011 | 16h47

E assim é a história de Aisha Gaddafi conforme ela vem sendo contada por argelinos que vivem na cidade de Djanet, a 1.500 km de Argel. Eles dizem que pouco viram da família do líder líbio durante sua estadia de dois dias na semana passada, mas que vão receber outros simpatizantes de Gaddafi que chegarem ali como refugiados.

Como seu primeiro-ministro, que disse no domingo que a Argélia se orgulhava em receber "casos humanitários", os moradores de Djanet, que fica a 60 km do posto de fronteira líbio Ghat, disseram que as tradições de hospitalidade entre os nômades do deserto significavam que a mulher foragida e seus acompanhantes tinham a certeza de serem bem recebidos, não importa os crimes pelos quais Muammar Gaddafi está sendo procurado.

"Ela foi bem tratada e recebeu todo o cuidado médico de que necessitava no hospital", disse o lojista Sahraoui Safi, um dos vários moradores da cidade que contam ter visto o comboio líbio, com algumas dezenas de familiares a bordo, movendo-se entre o hospital e uma vila muito bem guardada.

Um homem chamado Mohand, que administra uma cafeteria perto da clínica, disse ter visto um comboio de carros líbios seguindo na direção do hospital na segunda-feira. "Acho que a Argélia fez a coisa certa, oferecendo ajuda e apoio para um refugiado", disse. "Ela é uma refugiada."

Autoridades argelinas disseram que a segunda mulher de Gaddafi, Safia, junto com a filha dela Aisha e o filho Hannibal, assim como Mohammed, um filho de Gaddafi com sua primeira mulher, cruzaram a fronteira no dia 29 de agosto, uma segunda-feira.

Um fator crucial que permitiu a entrada deles foi que Aisha, uma advogada internacional com 30 e poucos anos de idade, estava prestes a dar à luz. A criança, uma menina, nasceu quase que imediatamente, nas primeiras horas de terça-feira, na clínica Efiri, uma instalação médica simples nos arredores de Djanet.

Aisha e seu bebê ficaram uma segunda noite na cidade em uma casa isolada, mas então partiram.

Uma fonte na Argélia que estava sabendo dos arranjos para a família de Gaddafi, mas que não estava autorizada para discuti-los, disse à Reuters que a família agora estava no sudeste do país, provavelmente na província de Illizi, um território do tamanho da Itália com uma população de 50.000 pessoas.

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