Cidade síria tem tiroteio na véspera de visita de monitores

Pelo menos sete pessoas ficaram feridas nesta quarta-feira na cidade síria de Hama quando forças de segurança usaram munição real e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar um protesto contra o presidente Bashar al-Assad, apenas um dia antes da visita de monitores de paz árabes, disse um grupo de direitos humanos.

MARIAM KAROUNY, REUTERS

28 de dezembro de 2011 | 14h35

Imagens ao vivo da televisão Al Jazeera mostraram tiros e fumaça negra vindos de uma rua de Hama enquanto dezenas de manifestantes gritavam: "Onde estão os monitores árabes?".

Monitores da Liga Árabe que estão verificando se a Síria está terminando sua violenta repressão à revolta anti-Assad deverão visitar Hama na quinta-feira. Em suas imagens, a Al Jazeera mostrou um homem com sangramento no pescoço enquanto outros gritavam ao fundo.

O Observatório Sírio para Direitos Humanos disse que os manifestantes estavam se dirigindo para a praça Orontes, no centro da cidade, para um ato em um local simbólico onde manifestações foram brutalmente reprimidas neste ano.

Forças de segurança não eram visíveis nas imagens da Al Jazeera. Manifestantes desarmados, alguns mascarados, foram ouvidos gritando "forças de Assad estão atirando contra a gente". Os manifestantes, em seguida, começaram a gritar: "Liberdade para sempre" e "Vamos ter a nossa vingança sobre você, Bashar".

A Reuters não conseguiu verificar os detalhes, já que a Síria proibiu o acesso da imprensa estrangeira ao país.

Hama, 240 quilômetros ao norte de Damasco, tem ressonância particular para os sírios. A cidade foi o local do maior massacre na história moderna do país.

Tropas invadiram Hama em 1982 para acabar com o braço armado da Irmandade Muçulmana. Até 30 mil pessoas foram mortas, muitas delas mortas em um bombardeio do Exército ou executadas nas ruas pelas forças leais ao pai do presidente Bashar al-Assad, o falecido Hafez al-Assad. Partes de sua antiga cidade foram arrasadas.

Em agosto, tanques atacaram Hama por dez dias, provocando reação de países árabes e do Ocidente, após semanas de protestos que reuniram centenas de milhares de pessoas na praça Orontes. Autoridades disseram que a operação foi necessária para limpar a cidade de "terroristas".

Nesta quarta-feira, parte de uma equipe da Liga Árabe visitou a cidade de Homs, berço da revolta contra Assad, mas parte do itinerário foi interrompido com o início de tiroteio, disseram ativistas.

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