Arquivo/AP
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Cientista iraniano chega ao Catar, de onde segue rumo ao Irã

Uma vez em seu país, Shahram Amiri revelará em que circunstâncias chegou aos Estados Unidos

estadão.com.br,

14 de julho de 2010 | 18h12

TEERÃ- O físico nuclear Shahram Amiri, que está a caminho do Irã, chegou na noite desta quarta-feira, 14, ao Catar, depois de ter afirmado que esclarecerá, quando chegar ao país, as circunstâncias de seu sequestro pelo serviço secreto dos Estados Unidos. As informações são da agência de notícias AFP.

 

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As autoridades de Doha advertiram que o cientista não podia entrar em contato com jornalistas. Sua chegada ao Irã está prevista para as 21h de Brasília, de acordo com o Ministério de Relações Exteriores do país.

 

"Uma vez no Irã, esclarecerei as alegações da imprensa estrangeira e do governo americano, que prejudicaram minha reputação", disse Amiri em uma entrevista ao canal iraniano Press-TV em 8 de junho.

 

Na transmissão, Amiri deu detalhes de seu suposto sequestro em junho de 2009 na Arábia Saudita. Ele disse que estava fazendo uma peregrinação a Medina quando vários homens vestidos de peregrinos iranianos o fizeram subir em um veículo.

 

"Um dos homens me mirou com uma pistola. Me deram uma injeção e quando acordei estava em um avião militar", acrescentou.

 

Uma vez nos Estados Unidos, afirmou, "sofri pressões psicológicas enormes. Me pressionaram para que eu apresentasse documentos à imprensa americana (...) , dissesse que havia me refugiado nos Estados Unidos por minha própria vontade e que havia trazido comigo esses documentos".

 

Amiri disse que se negou a atender aos pedidos dos agentes americanos, mesmo com o dinheiro que ofereceram a ele. O cientista também revelou que Israel planejava prendê-lo em "cárceres secretos".

 

"Se eu não tivesse falado, teriam dito à imprensa internacional que eu não havia cooperado com eles, e teriam publicado informações falsas em meu nome", completou.

 

Em visita a Lisboa, o chefe da diplomacia iraniana, Manuchehr Mottaki, declarou que seu país esperava ficar sabendo a versão do físico sobre as circunstâncias de seu sequestro, antes de determinar se ele deve ser considerado "como um herói".

 

Em Teerã, o porta-voz da chancelaria iraniana, Ramin Mehmanparast, citado pela agência Isna, disse que "graças aos esforços da República Islâmica e à cooperação da embaixada do Paquistão em Washington, Shahram Amiri abandonou há alguns minutos o território americano para se dirigir ao Irã, por meio de um terceiro país".

 

Amiri desapareceu na Arábia Saudita em junho passado, onde participava de uma peregrinação religiosa. Teerã afirmou que ele foi sequestrado pela CIA com a ajuda dos serviços secretos sauditas. Washington nega a acusação.

 

O porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, disse que Amiri "ficou aqui por um tempo, não vou especificar quanto", e que o cientista "escolheu voltar".

 

"O governo dos Estados Unidos tem mantido contato com ele", garantiu Crowley à imprensa, sem especificar se Amiri deu informações de inteligência sobre o programa nuclear de Teerã.

 

O porta-voz também se recusou a revelar de que maneira Amiri chegou aos Estados Unidos.

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