Reprodução/Press TV
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Cientista iraniano que afirma ter sido sequestrado pela CIA chega ao Irã

Shahram Amiri expicará em coletiva de imprensa sob quais circunstâncias chegou aos EUA

Reuters, BBC e AP,

14 de julho de 2010 | 22h19

O cientista nuclear iraniano que afirma ter sido sequestrado por agentes da CIA chegou na noite desta quarta-feira, 14, a Teerã, onde foi recebido com lágrimas por dez familiares que o esperavam no aeroporto internacional Imam Khomeini.  Vestindo um terno bege, Amiri desembarcou sorridente na capital iraniana e fez um sinal de vitória enquanto abraçava seu filho e sua mulher.

 

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Oficiais afirmaram que o físico nuclear de 32 anos irá conceder uma coletiva de imprensa em breve para esclarecer sob quais circunstâncias ele chegou aos Estados Unidos.

 

Enquanto segurava seu filho pequeno no colo, Amiri conversou com jornalistas autorizados a cobrir seu retorno ao Irã, e reiterou as afirmações de que foi sequestrado. O cientista também acusou agentes da CIA de tentarem o subornar com US$ 50 mihões para ficar nos Estados Unidos e fazer propaganda contra a República Islâmica.

 

Na noite de segunda-feira, Amiri apareceu pedindo refúgio no escritório de representação iraniano que funciona na Embaixada do Paquistão em Washington. O governo dos EUA negou as acusações de que seria responsável pelo seu desaparecimento. Um oficial americano disse, no entanto, que o país obteve "informações valiosas" sobre o programa atômico de Teerã com o cientista.

 

Em visita a Lisboa, o chefe da diplomacia iraniana, Manuchehr Mottaki, declarou que seu país esperava ficar sabendo a versão de Amiri sobre seu sequestro, antes de determinar se ele deve ser considerado "como um herói".

 

Em Teerã, o porta-voz da chancelaria iraniana, Ramin Mehmanparast, citado pela agência Isna, disse que "graças aos esforços da República Islâmica e à cooperação da embaixada do Paquistão em Washington, Shahram Amiri abandonou o território americano para se dirigir ao Irã, por meio de um terceiro país".

 

Amiri desapareceu na Arábia Saudita em junho passado, onde participava de uma peregrinação religiosa. Teerã afirmou que ele foi sequestrado pela CIA com a ajuda dos serviços secretos sauditas. Washington nega a acusação.

 

O porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, disse que Amiri "ficou aqui por um tempo, não vou especificar quanto", e que o cientista "escolheu voltar".

 

"O governo dos Estados Unidos tem mantido contato com ele", garantiu Crowley à imprensa, sem especificar se Amiri deu informações de inteligência sobre o programa nuclear de Teerã.

 

O porta-voz também se recusou a revelar de que maneira Amiri chegou aos Estados Unidos.

 

Programa nuclear

 

A imprensa iraniana afirma que Amiri trabalhava como pesquisador na Universidade de Teerã. No entanto, há relatos de que ele trabalharia para a agência iraniana de energia atômica e teria conhecimentos profundos do programa nuclear do Irã.

 

Em meio a informações conflitantes, a rede de TV americana ABC chegou a dizer que Amiri havia desertado e estaria colaborando com a CIA, fornecendo informações importantes sobre o programa nuclear iraniano. No início do mês, Teerã disse ter provas de que Amiri estava sendo mantido à força nos EUA.

 

Os Estados Unidos são um dos principais críticos do programa nuclear iraniano e pressionam o país a interromper seu processo de enriquecimento de urânio, sob a alegação de que o governo iraniano possa planejar desenvolver armas nuclerares secretamente.

 

O governo iraniano nega essas alegações, diz que seu programa nuclear é pacífico e se recusa a interromper o enriquecimento de urânio. No mês passado, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma quarta rodada de sanções para pressionar o Irã a interromper seu programa nuclear.

 

Atualizado às 22h56 para acréscimo de informações

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