Cientista iraniano que apareceu nos EUA está a caminho do Irã

Um cientista nuclear iraniano que apareceu em Washington afirmando ter sido sequestrado por agentes dos Estados Unidos, caminha nesta quarta-feira para uma recepção oficial em sua volta ao Irã em mais um episódio das tensões entre a República Islâmica e os EUA.

REUTERS

14 de julho de 2010 | 13h16

O Irã acusou a CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos, de sequestrar Shahram Amiri, que trabalhava para a Organização de Energia Atômica do Irã, há um ano na Arábia Saudita. Washington nega ter sequestrado Amari e afirma que ele tinha liberdade de deixar os EUA, mas não explicou por que estava lá.

O Irã trava uma disputa com os Estados Unidos e seus aliados sobre o programa nuclear de Teerã, que o Ocidente afirma ter o objetivo de construir armas atômicas. Autoridades iranianas afirmam que o objetivo é gerar eletricidade.

O mistério envolvendo Amiri aumentou as especulações de que ele teria passado informações sobre o programa nuclear iraniano para a inteligência dos Estados Unidos. A emissora de TV norte-americana ABC afirmou em maio que Amiri havia desertado e que estaria colaborando com a CIA.

Três meses após o desaparecimento de Amiri, o Irã revelou a existência de uma instalação secreta de enriquecimento de urânio próxima à cidade sagrada xiita de Qom.

Contradizendo as alegações norte-americanas de que Amiri estava nos EUA de livre e espontânea vontade, Amiri pintou um cenário dramático sobre como teria sido sequestrado.

"Enquanto eu estava na peregrinação na Arábia Saudita, um carro me ofereceu uma carona... uma arma foi apontada para mim assim que entrei no carro", afirmou ele à televisão estatal. "Então eu fui drogado... fui transferido para a América num avião militar."

O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que Amiri, que ressurgiu na seção de interesses iranianos da embaixada do Paquistão em Washington na segunda-feira, está agora a caminho do Irã.

(Reportagem de Ramin Mostafavi)

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