Cientista iraniano que estava sumido aparece em Washington

Um cientista nuclear iraniano que estava desaparecido há mais de um ano apareceu de modo dramático na seção de interesses iranianos da embaixada do Paquistão em Washington e teria declarado que foi sequestrado por agentes norte-americanos, em um "ato vergonhoso", o que foi negado por autoridades dos EUA.

HOSSEIN JASEB, REUTERS

13 de julho de 2010 | 12h52

Um funcionário norte-americano que se negou a ser identificado disse que Shahram Amiri, que desapareceu durante peregrinação à Arábia Saudita mais de um ano atrás, estivera visitando os EUA e decidiu "retornar ao Irã por vontade própria".

Teerã já acusou a CIA várias vezes de abduzir Amiri, que trabalhou para a Organização de Energia Atômica iraniana, mas a ABC News informou que ele deixou o Irã por vontade própria e estava ajudando a CIA. Washington nega que o cientista tenha sido abduzido com a finalidade de obter segredos nucleares dele.

"Meu sequestro foi um ato vergonhoso para a América. Nos últimos 14 meses estive sob pressão psicológica enorme e supervisão de agentes armados", teria dito Amiri, na casa dos 30 anos, em entrevista telefônica à TV estatal iraniana.

O caso de Amiri provocou especulações sobre a possibilidade de o cientista dispor de informações valiosas sobre o programa nuclear iraniano, que interessariam aos EUA.

O funcionário dos EUA disse: "Amiri está nos EUA por vontade própria e decidiu retornar ao Irã por vontade própria", acrescentando que o cientista aguarda documentos de um terceiro país, com os quais pretende viajar ao Irã.

O aparecimento de Amiri acontece após uma troca de espiões em estilo da Guerra Fria realizada em Viena na sexta-feira, quando dez pessoas acusadas nos EUA de serem agentes russos foram trocadas por quatro pessoas encarceradas na Rússia por acusação de fazer espionagem para o Ocidente.

A PressTV, iraniana, disse que "Amiri foi escoltado por forças americanas à seção de interesses do Irã em Washington".

O Irã e os Estados Unidos romperam relações diplomáticas após a revolução islâmica de 1979. Sob a égide da embaixada paquistanesa, a seção de interesses iranianos, cujos funcionários são iranianos, fornece serviços consulares, incluindo informações sobre vistos de viagem.

A agência de notícias semi-oficial iraniana Fars disse que a entrega de Amiri por agentes dos EUA foi uma vitória "sobre as forças de inteligência americanas".

No início do mês o Irã convocou o embaixador suíço a Teerã e lhe entregou documentos que afirmou comprovarem que Amiri foi sequestrado nos EUA. A embaixada suíça em Teerã cuida dos interesses americanos no Irã.

Nas últimas duas semanas, imagens de vídeo contraditórias sobre Amiri foram ao ar. Em um vídeo, um homem identificado como Amiri disse ter sido levado aos Estados Unidos e torturado.

Em outro vídeo veiculado na Internet, um homem que também seria o cientista afirmou estar estudando nos EUA.

Em um terceiro vídeo, um homem que se descreveu como Amiri disse que fugira de "agentes" americanos e estava escondido, pedindo que grupos de direitos humanos o ajudassem a retornar ao Irã.

"Como minhas declarações foram veiculadas na Internet, os americanos querem negar por completo a história de minha abdução, me mandando de volta para meu país em segredo", disse Amiri. "Os americanos se viram como os perdedores neste jogo."

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