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Cinco mulheres morrem em ataque a casamento no Iêmen

Representante do governo, Sadek Duid, culpa os rebeldes houthis pela explosão

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2021 | 08h16

Cinco mulheres foram mortas e crianças ficaram feridas pela explosão de um projétil em uma sala de festas durante um casamento em Hodeida, uma cidade no sudeste do Iêmen, dias após um ataque espetacular ao novo governo em Aden.

O artefato caiu na noite de sexta-feira, 01, em um salão de festas perto do aeroporto de Hodeida, uma área na linha de frente entre forças pró-governo e rebeldes houthi, que controlam esta importante cidade portuária do Mar Vermelho, disseram fontes do governo e testemunhas.

A explosão, que deixou cinco mulheres mortas e sete pessoas feridas, incluindo crianças, foi descrita como um "crime odioso cometido pelos houthis contra civis" pelo general Sadek Duid, representante do governo dentro da Comissão Conjunta patrocinada pela ONU para manter uma trégua em Hodeida. Já o "governador" nomeado pelos Houthi de Hodeida, Mohamed Ayash, atribuiu o ataque às forças pró-governo. 

Os rebeldes houthi conquistaram grande parte do norte do país, incluindo a histórica capital Saná em 2014. Por sua vez, as forças leais ao poder - reconhecidas pela comunidade internacional - têm sido apoiadas desde 2015 por uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita que luta contra rebeldes apoiados por seu grande rival regional, o Irã. 

Este conflito mergulhou o Iêmen, um país muito pobre da Península Arábica, na pior crise humanitária do mundo, segundo a ONU, com dezenas de milhares de mortos, milhões de deslocados e uma população à beira da fome.

Enquanto os combates no Iêmen diminuíram por vários meses, a violência recomeçou em dezembro em Hodeida e Aden, mais ao sul e agora a capital provisória do país.

Em Aden, na última quarta-feira, 30, pelo menos 26 pessoas foram mortas e mais de meia centena de feridos em várias explosões no aeroporto quando um avião que transportava um novo governo tinha acabado de pousar. O ataque, que não teria causado baixas entre os membros do executivo, foi atribuído pelo governo iemenita aos houthis, que, no entanto, não reivindicaram essa ação.

Anteriormente, em 4 de dezembro de 2020, pelo menos oito pessoas foram mortas no bombardeio de um complexo industrial em Hodeida. E no final de novembro, cinco crianças e três mulheres foram mortas em um bombardeio de bairros residenciais, atribuído aos Houthis. No final de 2018, a ONU anunciou acordos de trégua especialmente em Hodeida, após uma série de negociações entre os dois lados na Suécia. Esta trégua tem sido mais ou menos respeitada./AFP

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