Cinegrafista da Al-Jazeera é libertado de Guantanamo

Al-Haj está preso desde 2001; ele foi acusado de transportar dinheiro para milícias

AP

01 de maio de 2008 | 19h45

O cinegrafista da Al-Jazeera al-Haj, possivelmente o único jornalista de uma grande organização preso em Guantânamo, foi solto nesta quinta-feira, 1, depois de mais de seis anos sob custódia dos EUA, de acordo com seus advogados. Ele estava sendo repatriado a seu país natal, o Sudão, disseram seus advogados. A Al-Jazeera relatou que o cinegrafista estava sendo levado para a capital do Sudão, Khartoum, a bordo de um avião militar norte-americano. Al-Haj foi tema de muitos protestos ao redor do mundo, e muitos viam sua prisão como punição para uma rede cujas transmissões irritaram oficiais dos EUA. O exército alegou que ele trabalhava como mensageiro para uma milícia muçulmana, o que seus advogados negaram. O cinegrafista foi capturado por forças Paquistanesas em 15 de dezembro de 2001, aparentemente sob ordens de autoridades norte-americanas que suspeitaram que ele havia entrevistado Osama Bin Laden, disse a Reprieve, instituição que representa 35 presos de Guantânamo, incluindo Al-Haj.  Mas essas suspeitas se provaram falsas, afirmou a Reprieve em um comunicado para a imprensa. "Essas são ótimas notícias, há muito esperadas", disse Clive Stafford Smith, diretor da Reprieve, que representa Al-Haj desde 2005. "A administração dos EUA nunca teve nenhuma razão para manter o Sr. Al-Haj preso e, em vez disso, gastou seis anos tentando jogá-lo contra seus empregadoras na Al-Jazeera." Um porta-voz do Pentágono e comandante da marinha, Jeffrey Gordon, recusou comentar o episódio. Al-Haj, que foi levado para Guantánamo em junho de 2002, fez greve de fome por 16 meses, período durante o qual os militares tiveram que alimentá-lo com nutrientes líquidos, através de um tubo enfiado em seu nariz, contou o procurador Zachary Katznelson, que encontrou o cinegrafista em Guantánamo em 22 de abril. Pouco depois da reunião, Katznelson afirmou que al-Haj estava esquálido por causa da greve de fome. O advogado também disse que o cinegrafista teve problemas recentes no fífado e nos rins, além de sangue na urina. Wadan Khanfar, diretor executivo da sucursal da Al-Jazeera no Qatar, disse que Al-Haj ficaria alguns dias no hospital quanto chegasse ao Sudão, por causa de problemas de saúde relacionados à greve de fome. "Estamos muito contentes e esperançosos", afirmou Khanfar. Ele adicionou que a esposa de Al-Haj e seu filho estariam vindo do Qatar imediatamente para vê-lo. Al-Haj cresceu no Sudão e foi capturado por autoridades paquistanesas na fronteira com o Afeganistão. As autoridades o acusaram de transportar dinheiro em 1990 para uma organização que teria supostamente fundado grupos de milícia.  O exército dos EUA alegou que nos anos 1990 Al-Haj era assistente executivo de uma companhia de bebidas no Qatar que dava apoio para soldados muçulmanos na Bósnia e na Chechênia. Os EUA também afirmaram que ele viajou para o Azerbaijão no mínimo oito vezes para levar dinheiro em nome de seus empregadores para a Fundação Islâmica Al-Haramain, associação que os militares acreditam ter sido responsável pela fundação de milícias. Durante esse período ele teria encontrado Mamdouh Mahmud Salim, um substituto de Osama Bin Laden que foi preso na Alemanha em 1998 e extraditado para os Estados Unidos.

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