Cirurgiões palestinos e israelenses se unem para salvar crianças

Médicos ignoram política e salvam três menores com problemas cardíacos; bebê de 8 meses é um dos pacientes

Agência Estado e Associated Press,

12 de março de 2008 | 14h43

Cirurgiões cardíacos israelenses e palestinos formaram nesta quarta-feira, 12, uma equipe em um hospital de Israel com o objetivo de operar três crianças palestinas como parte de um programa para salvar a vida das crianças independentemente das hostilidades entre o grupo islâmico Hamas e Israel na Faixa de Gaza. Os médicos disseram que as crianças estariam em perigo caso não passassem pela cirurgia. A maior tem sete anos, outra tem quatro e a menor tem apenas oito meses de idade. As mais velhas foram tratadas para se curar de sopros no coração. O bebê se submeteu a uma cirurgia para corrigir um problema cardíaco congênito. "As operações foram bem sucedidas e as crianças estão bem", disse o médico Akiva Tamir, chefe do setor de cardiologia do Hospital Wolfson, próximo de Tel-Aviv. "Nós ignoramos toda a política e estamos fazendo um ótimo trabalho com os médicos em Gaza, apesar da violência e das guerras", disse Tamir, que realizou as operações com Rula Awwad, um cirurgião palestino da Cisjordânia. Israel fechou as fronteiras com a Faixa de Gaza em junho do ano passado depois de o Hamas ter tomado o poder na região. Os palestinos de Gaza não podem entrar em Israel por razões de segurança, mas alguns pacientes em situação grave são permitidos. "Eu não esperava que fosse tão fácil vir para Israel", disse Abu Radwan, de quatro anos, após ser submetido à cirurgia.  Os médicos são membros de uma associação humanitária israelense chamada Salve o Coração de uma Criança, destinada a tratar de crianças portadoras de problemas de coração que vivam em zonas de conflito ou áreas em que as instalações médicas não estão nos padrões adequados. Tamir disse que o programa tratou 250 crianças de Gaza no último ano. Em outubro, o grupo operou de forma bem sucedida duas crianças iraquianas com problemas cardíacos que chegaram a Israel de avião para as cirurgias. Desde sua fundação, em 1996, a organização tratou mais de 900 crianças em Gaza e mais de mil no Iraque e outros Estados árabes que não têm relação com Israel, bem como países africanos, segundo o diretor Simon Fisher.

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