Civis correm risco na Líbia; filho de Gaddafi está no Níger

O novo governo líbio disse no domingo que os seus combatentes estão evitando confrontos na cidade de Bani Walid, um dos últimos redutos de Muammar Gaddafi, depois de avançarem até o núcleo urbano e concluírem que os civis correm risco.

WILLIAM MACLEAN E MARIA GOLOVNINA, REUTERS

11 Setembro 2011 | 19h57

"Quando nossas forças entraram em Bani Walid, encontraram as brigadas de Gaddafi usando os cidadãos como escudos", disse Ahmed Bani, porta-voz do Conselho Nacional de Transição (CNT), acrescentando a jornalistas que a ofensiva por enquanto está suspensa.

Os combatentes dizem que controlam grandes parcelas da cidade, que fica 150 quilômetros a sudeste de Trípoli, mas enfrentam uma resistência maior do que esperavam. Durante o dia, ambulâncias eram vistas a toda hora circulando entre a frente de combate e os hospitais de campanha. Civis fugiam.

Segundo Walid, as forças pro-Gaddafi instalaram lançadores de mísseis sobre telhados de casas onde há famílias, o que inviabiliza bombardeios do CNT ou de seus aliados da Otan.

Um homem que deixou a cidade com sua família disse que faltam alimentos em Bani Walid. "As pessoas estão tentando nos trazer comida e remédios, mas as gangues de Gaddafi as rechaçam", disse.

Três semanas depois de assumir o controle de Trípoli, a prioridade do CNT ainda é localizar Gaddafi e seus sete filhos. Um deles, Saadi Gaddafi, conseguiu atravessar o Saara e chegar ao vizinho Níger, segundo o governo desse país.

Segundo o ministro nigerino da Justiça, Marou Adamou, Saadi foi interceptado em um comboio que havia cruzado a fronteira e se dirigia para a localidade de Agadez. Adamou não explicou qual era o status dele no Níger. Os EUA e outros países têm pressionado países vizinho à Líbia para não darem refúgio a Gaddafi ou a outras pessoas acusadas de crimes.

Três filhos de Gaddafi já receberam refúgio na Argélia, e outros três estão foragidos.

O CNT diz que só vai considerar a Líbia totalmente "liberada" quando conseguir controlar os últimos redutos pró-Gaddafi - o que inclui Bani Walid e a litorânea Sirte, cidade natal do ex-governante, cujo paradeiro continua desconhecido.

"Gaddafi ainda tem dinheiro e ouro", disse o presidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil. "Essas são coisas fundamentais que lhe permitem encontrar homens (para lutar)."

Paralelamente, o CNT prometeu anunciar dentro de sete a dez dias um novo governo nacional, que seja mais abrangente. Além disso, as autoridades provisórias disseram ter retomado no sábado a produção de petróleo, que havia sido praticamente paralisada durante os seis meses de guerra civil, privando a Líbia da sua mais importante fonte de divisas.

Em Trípoli, repórteres da Reuters viram cerca de 20 combatentes mantendo sob vigilância, numa casa do bairro de Zenata, o ex-premiê Bouzaid Dorda, que foi chefe do serviço de espionagem externa do regime de Gaddafi.

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