Clérigo aliado de Mousavi pede recontagem justa no Irã

Influente entre os líderes religiosos, Akbar Rafsanjani fala pela primeira vez em irregularidades na eleição

Reuters,

28 de junho de 2009 | 13h10

O ex-presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani, rival do presidente Mahmoud Ahmadinejad e aliado do reformista Mir Houssein Mousavi, pediu neste domingo, 28, um exame justo das denúncias de fraudes feitas pela oposição sobre a eleição do último dia 12. Rafsanjani é presidente da Assembleia dos Especialistas, órgão de clérigos xiitas que tem o poder de nomear ou destituir o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.

Em seus primeiros comentários após as tumultuadas eleições, Rafsanjani disse que o resultado da votação foi uma conspiração organizada por elementos suspeitos que visam dividir o povo e o sistema islâmico no Irã. "Quando o povo se dá conta dessas tentativas essas tramas são frustradas", disse o ex-presidente, segundo a agência oficial Irna.

Veja também:

video TV Estadão: Editor do 'Estado' Eduardo Barella fala sobre a crise

som Podcast: Enviado do "Estado" no Irã comenta dificuldades da imprensa

som Podcast: Pedro Dória explica como manifestantes driblam censura no Irã

lista Veja como acompanhar a crise política iraniana na web

lista Conheça os números do poderio militar do Irã

lista Altos e baixos da relação entre Irã e EUA

especialEspecial: Conflito eleitoral divide o Irã

especialEspecial: O histórico de tensões do Irã

especialEspecial: O programa nuclear do Irã

especialEspecial: As armas e ambições das potências

lista Tudo o que foi publicado sobre a crise eleitoral no Irã 

Analistas consideram Rafsanjani um mediador para o impasse político criado após a reeleição de Ahmadinejad. A vitória do presidente conservador detonou uma série de protestos de ruas no país que deixaram ao menos 20 mortos, de acordo com números do governo.

 

Rafsanjani ainda elogiou a decisão do aiatolá Khamenei de estender por cinco dias o prazo para o Conselho dos Guardiães, órgão responsável por validar as eleições, receber queixas sobre possíveis fraudes.

 

"Foi uma decisão valiosa do líder supremo que deve atrair a confiança das pessoas sobre o processo. Espero que os envolvidos façam uma revisão justa das alegações".

O conselho ofereceu recontar 10% dos votos, mas não viu maiores fraudes na votação, vencida por Ahmadinejad por 62% contra 32% de Mousavi.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.