Clérigo diz que Irã está em crise; polícia reprime manifestantes

Em aparente desafio ao líder supremo do Irã, um clérigo poderoso declarou que a República Islâmica entrou em crise após a controvertida eleição presidencial, ao mesmo tempo que dezenas de milhares de manifestantes aproveitaram a sexta-feira para realizar a maior demonstração de descontentamento das últimas semanas.

PARISA HAFEZI E FREDRIK DAHL, REUTERS

17 de julho de 2009 | 19h44

Houve confrontos no centro de Teerã entre a polícia e partidários do líder oposicionista Mirhossein Mousavi, que continua contestando os resultados que deram vitória ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, reeleito para um segundo mandato por ampla margem de votos.

"A polícia lançou gás lacrimogêneo e espancou partidários de Mousavi na avenida Keshavarz", disse uma testemunha, acrescentando que os manifestantes portavam centenas de bandeiras verdes - a cor da campanha de Moussavi - e gritavam "Ahmadinejad, renuncie, renuncie".

A TV estatal mostrou imagens da polícia lançando gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que diziam "Morte ao ditador" e "Mousavi, nós apoiamos você". Alguns gritavam "Morte à Rússia", em protesto ao declarado reconhecimento da vitória de Ahmadinejad pelo governo russo.

Gritos de Deus é Grande (Allahu Akbar) surgiam do topo das residências e duraram mais tempo do que em noites anteriores em Teerã.

O clérigo influente e ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, um moderado que apoiou a campanha eleitoral de Mousavi, disse que muitos iranianos têm dúvidas sobre o resultado oficial da votação de 12 de junho.

"Espero que com este sermão nós possamos atravessar este período de dificuldades, que pode ser chamado de crise", disse o clérigo influente, conduzindo as orações pela primeira vez desde a eleição.

As transmissões ao vivo das orações de sexta-feira na Universidade de Teerã, pela rádio estatal, nas quais um clérigo destacado profere um sermão de sentido duplo, político e religioso, são referência no Irã desde a Revolução Islâmica.

Rafsanjani não foi tão longe como Mousavi e outro candidato reformista, Mehdi Karoubi, na condenação da apuração da votação, mas seus comentários representaram um claro desafio ao aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo do país, que endossou o resultado da eleição e acusou potências estrangeiras de fomentar a agitação no país.

Karoubi foi espancado depois das orações, segundo a agência estatal Irna, que citou como fonte o prefeito de Teerã, Morteza Tamaddon, o qual atribuiu o ataque a "elementos por trás deste evento suspeito".

(Reportagem adicional de Zahra Hosseinian)

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