Clérigo do Iraque pede que EUA abandonem premiê

Líder sunita afirma que administração "fantoche" do xiita Nuri al-Maliki está num "beco sem saída"

SULEIMAN AL-KHALIDI, REUTERS

13 de agosto de 2007 | 11h41

O principal clérigo sunita doIraque pediu na segunda-feira aos Estados Unidos que cortemrelações com o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki (umxiita), afirmando que o governo "fantoche" dele haviafracassado e que o processo político patrocinado pelosnorte-americanos encontrava-se em um beco sem saída. "Se os norte-americanos continuarem com essa política e secontinuarem confiando nos mesmos homens que fracassaramrepetidas vezes, então vão fazer do Iraque um fracasso",afirmou à Reuters o xeique Harith al-Dari. "O governo dos EUA deveria mudar de postura a respeito doIraque e deveria parar de depender de fantoches que serevelaram um fracasso", afirmou o líder da Associação deClérigos Muçulmanos do Iraque em uma entrevista concedida emAmã. O governo de unidade nacional comandado por Maliki, criadopara diminuir as tensões sectárias e conter a violência, estáem crise desde que o principal bloco sunita dele abandonou abase governista no começo deste mês. O premiê deseja quelíderes políticos reúnam-se nos próximos dias para resolver oimpasse. Dari, cuja associação engloba líderes religiosos sunitas doIraque, disse que os EUA haviam feito a população iraquianasofrer durante os quatro anos de ocupação e que deveriam tentarpatrocinar agora um governo não partidário. O clérigo, que costuma elogiar os grupos insurgentessunitas, mas que nega ter contato com essas entidades, afirmouque os norte-americanos precisavam reconstruir o Exércitoiraquiano com base em uma estrutura não sectária. Pouco depois da deposição do ditador Saddam Hussein (umsunita), em 2003, o governo dos EUA dissolveu o Exército e asforças de segurança do Iraque, dispensando centenas de milharesde soldados e deixando os sunitas ainda mais insatisfeitos. "Se os norte-americanos imaginarem um novo tipo deregramento que se apóie na sabedoria e na firmeza junto com aforça para impor a segurança, então poderão se retirar doIraque com algo de positivo para mostrar", afirmou. "Essa é uma alternativa melhor para os EUA do que negociarcom um governo fraco. Essa alternativa lhes garantiria umfuturo governo capaz de respeitá-los na qualidade de aliados,ao invés de ser um fardo e sobreviver à custa do dinheiro doscontribuintes norte-americanos", disse Dari. Segundo o clérigo, o Congresso dos EUA deveria exercer umapressão maior para garantir a retirada dos soldadosnorte-americanos do Iraque. No começo deste ano, em meio aesforços para conter a violência sectária, os EUA aumentaram onúmero de tropas estacionadas no território iraquiano. "Eles estão enfrentando uma guerra fracassada e fútil, umaguerra responsável por matar muitas pessoas", afirmou Dari. "Aopinião pública dos EUA deveria saber que os perdedores dessaguerra são tanto o povo norte-americano quanto o iraquiano." Dari disse que conseguia imaginar uma futura reconciliaçãocom os EUA se os norte-americanos tentassem aprender com oserros cometidos depois da invasão. "Isso é possível", afirmou "Como se costuma dizer, napolítica não há nem inimigos eternos e nem amigos eternos."

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