Clérigo xiita pede que seguidores respeitem trégua no Iraque

Moqtada al-Sadr diz que ameaça de 'guerra aberta' se dirige às forças americanas e não ao governo nacional

Reuters e Efe,

25 de abril de 2008 | 10h02

 O clérigo xiita Moqtada al-Sadr pediu nesta sexta-feira, 25, que seus seguidores mostrem "mais paciência" a respeito do cumprimento do cessar-fogo nos confrontos com as tropas iraquianas e americanas. No apelo, lido numa importante mesquita de Bagdá, Sadr diz que sua recente ameaça de "guerra aberta" se dirigia às forças dos EUA, e não ao governo nacional. As declarações podem atenuar a tensão existente desde que as forças do primeiro-ministro Nouri Al Maliki promoveram uma ofensiva contra a milícia Exército Mahdi, de Sadr, e ameaçaram proibir os correligionários dele de disputarem as eleições provinciais de outubro. "Vocês são os melhores, se comprometeram e foram pacientes com a decisão de cessar-fogo, e foram os mais obedientes ao seu líder. Desejo que continuem com sua paciência e sua crença", disse Sadr na nota lida por um clérigo durante as preces de sexta-feira numa mesquita xiita de Sadr City, reduto do religioso na zona leste de Bagdá. "Quando ameaçamos uma 'guerra aberta', nos referíamos a uma guerra contra o ocupante, não uma guerra contra os irmãos iraquianos", acrescentou. Centenas de pessoas morreram em Sadr City e outras áreas de Bagdá desde o início da ação militar ordenada por Maliki, ele próprio um xiita. No sábado, Sadr ameaçou promover uma "guerra aberta" caso Maliki mantivesse a pressão sobre a milícia em Bagdá, na cidade de Basra (sul) e em outras áreas xiitas. Embora a situação em Basra tenha se acalmado, os confrontos continuam em Sadr City e arredores. A primeira trégua declarada por Sadr começou em agosto e resultou numa redução generalizada da violência. Mas o cessar-fogo atravessa uma fase precária por causa dos confrontos iniciados em março. Na sexta-feira, Sadr reiterou sua exigência de que as tropas dos EUA deixem o Iraque. "Meus irmãos no Exército Mahdi e nas forças iraquianas, sejam uma só mão e parem de derramar mutuamente seu sangue. Apóiem todos os tipos de resistência para termos um Iraque seguro", disse Sadr. Sadr apoiou a ascensão de Maliki ao poder, em 2006, mas depois rompeu com ele, indignado com a falta de um cronograma do governo para a desocupação norte-americana. Desde então, o premiê mantém o confronto com o influente clérigo, ameaçando inclusive proibir seus candidatos de disputarem a eleição regional de 1o de outubro, caso a milícia Mahdi não seja desmantelada até lá. O grupo de Sadr, que boicotou as últimas eleições locais, em 2005, tem condições de obter um bom resultado eleitoral, roubando espaço dos partidos governistas, especialmente no sul (onde há maior população xiita). Muitos seguidores do clérigo vêem na repressão armada uma tentativa do governo para isolá-los politicamente a ajudar os partidos governistas. Bagdá diz que o objetivo da campanha é restaurar o estado de direito em áreas controladas pela milícia.

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