Clérigos iranianos pedem união durante funeral de cientista

Durante o funeral nesta sexta-feira de um cientista nuclear morto em uma explosão clérigos iranianos pediram aos iranianos que os apoiem na próxima eleição e enfrentem as ameaças ocidentais contra o programa nuclear do país.

MITRA AMIRI E ROBIN POMEROY, REUTERS

13 de janeiro de 2012 | 15h11

Em um clima de grande emoção em uma cidade cada vez mais acossada pelas sanções norte-americanas e europeias, e por temores de uma guerra com Israel e o Ocidente, centenas de pessoas se revezaram carregar o caixão de Mostafa Ahmadi-Roshan, que foi assassinado na quarta-feira por um motociclista na hora do rush em Teerã.

"Morte à América! Morte a Israel!", gritava a multidão depois das orações semanais na Universidade de Teerã, onde o corpo do morto foi recebido como o de um mártir, na tradição do imã Hussein, uma figura reverenciada pelos xiitas iranianos.

""A energia nuclear é nosso direito absoluto!", gritou um jovem.

A rádio estatal descreveu Ahmadi-Roshan, engenheiro químico de 32 anos, cujo motorista também foi enterrado na sexta-feira, como alguém que trabalhava sob contrato para a usina de enriquecimento de urânio em Natanz.

Isso pode reforçar as suspeitas de que ele foi alvo de agências ocidentais e israelenses, que dizem que algumas aquisições secretas iranianas confirmam seu ceticismo sobre a afirmação do governo do Irã de que não está tentando fabricar armas atômicas.

Com o descontentamento popular crescente devido à crise econômica e à falta de liberdades políticas, entre outras questões, a elite clerical vem usando a hostilidade ocidental em relação aos líderes do Irã e ao suposto programa nuclear pacífico como um estímulo para a unidade nacional e para a supressão de vozes dissidentes.

O aiatolá Mohmammed Emami-Kashani disse a fiéis que o assassinato de Ahmadi-Roshan - o último de vários ataques atribuídos a agentes estrangeiros - deveria encorajar os eleitores a não cederem aos pedidos da oposição de boicotarem a eleição parlamentar em 2 de março.

A votação será o primeiro teste para uma liderança cada vez mais fraturada desde que grandes protestos se seguiram à reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em agosto de 2009, e desde que os levantes populares contra a autocracia se espalharam por países árabes, incluindo a Síria.

"A nação deve acordar", disse Emami-Kashani em seu sermão, repetindo uma advertência feita pelo líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, de que os inimigos ocidentais do Irã planejavam usar a eleição para desestabilizar a República Islâmica, fundada há 32 anos.

"As eleições estão se aproximando e, como disse o líder, o inimigo tem planos para as eleições. Todo o povo deveria estar unido", afirmou.

Ahmadi-Roshan, cuja família enlutada foi mostrada na televisão nacional acusando os inimigos do Irã de tê-lo matado, deve ser enterrado em um santuário perto de outro cientista nuclear assassinado da mesma maneira há dois anos, em 12 de janeiro de 2010.

Ahmadinejad, que estava encerrando uma turnê pela América Latina, disse: "Mais uma vez as mãos sujas da arrogância e os elementos do sionismo privaram nossa comunidade acadêmica e científica da presença graciosa de um de nossos jovens intelectuais e cientistas".

"Esses criminosos que pensam que podem impedir as elites e os intelectuais iranianos, em seu crescimento e evolução, deveriam saber que tal comportamento não apenas não evita o desenvolvimento do querido país, mas multiplica o desejo dos iranianos e sua determinação de buscar o orgulho nacional nos campos científicos do mundo", disse o presidente, segundo a agência de notícias Isna.

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