Coalizão ataca tanques de Kadafi em cidade rebelde no oeste da Líbia

Forças leais ao líder líbio continuam bombardeando as cidades de Misrata, no oeste, e Zintan, no leste

REUTERS

23 de março de 2011 | 10h25

TRÍPOLI - Aviões da coalizão internacional que intervém na Líbia lançaram ataques aéreos contra tanques e artilharia do líder líbio, Muamar Kadafi, que cercavam a cidade de Misrata nesta quarta-feira, após um almirante dos EUA afirmar esses seriam os próximos alvos da operação.  

 

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Em tom desafiador, Kadafi, que enfrenta uma quarta noite de ataques aéreos contra a Líbia, afirmou que aqueles que atacam o país são "um bando de fascistas" que terminarão na lata de lixo da história.

Os tanques de Kadafi dispararam contra a cidade rebelde de Misrata, no oeste, matando dezenas de pessoas, e atacaram Zintan, perto da fronteira com a Tunísia, apesar de um cessar-fogo anunciado pelas forças líbias, disseram moradores e rebelados.

Forças ocidentais começaram a atacar tanques das forças de Kadafi e, antes dos ataques, o contra-almirante Peg Klein, comandante do grupo de ataque expedicionário a bordo do porta-aviões norte-americano USS Kearsarge na costa líbia, alertou que eles seriam os alvos nessa nova etapa da ofensiva.

"Estamos autorizados, e o presidente estabeleceu o nexo entre a resolução do Conselho de Segurança e o que considera nosso mandato legal para atacar esses tanques. Por isso esse é o tipo de alvo que nossas aeronaves vão mirar", disse.

Sami, um morador de Misrata, disse à Reuters por telefone na terça-feira: "A situação é relativamente calma, mas atiradores de elite ainda estão posicionados nos telhados dos edifícios."

"Ouvimos um som esta manhã, mas não sabemos se foi um bombardeio de tanques ou uma explosão causada por ataques aéreos."

O poder de fogo do Ocidente manteve os aviões de guerra de Kadafi no solo e expulsou suas forças dos limites do reduto rebelde de Benghazi, mas elas ainda têm atacado refúgios dos rebeldes que lutam para depor seu governo de 41 anos.

Pelo menos duas explosões foram ouvidas na capital Trípoli antes de amanhecer desta quarta-feira, a quarta noite de ataques, disseram testemunhas da Reuters. O rugido de um avião de guerra foi ouvido sobre a cidade seguido de uma rajada de fogo anti-aéreo.

No leste do país produtor de petróleo do norte da África, rebeldes desorganizados e pouco equipados falharam na tentativa de capitalizar os ataques aéreos e estão encurralados.

Os combatentes não conseguiram desalojar as forças de Gaddafi da intersecção de Ajdabiyah, ponto-chave no leste, criando um grande risco de impasse, disseram analistas de segurança.

"Não iremos nos render", declarou Kadafi a simpatizantes que formam um escudo humano para protegê-lo em seu complexo em Trípoli, que foi atacado em 1986 durante o governo do ex-presidente norte-americano Ronald Reagan e novamente na atual campanha aérea.

"Vamos derrotá-los por todo e qualquer meio... estamos prontos para a luta, seja curta ou longa... vamos sair vitoriosos no final", disse ele em uma transmissão de TV ao vivo.

"Este ataque... é de um bando de fascistas que terminarão no lixo da história", afirmou Kadafi em um discurso seguido de fogos de artifício na capital líbia enquanto a multidão vibrava e simpatizantes disparavam para o alto.

A coalizão formada por EUA, França, Reino Unido, Itália, Canadá, Qatar, Noruega, Bélgica, Dinamarca, Romênia, Holanda e Espanha deu início no sábado a uma intervenção militar na Líbia, sob mandado da resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Nesta terça, Washington, Londres e Paris concordaram que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deve desempenhar um papel na incursão.

 

A resolução da ONU prevê a criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia e a tomada de "quaisquer medidas necessárias" para impedir o massacre de civis pelas tropas de Kadafi, que está no poder há 41 anos e enfrenta um revolta há mais de um mês. Desde o início da ação internacional, os insurgentes, que querem derrubar Kadafi, ganharam força. 

 

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