Coalizão decide iniciar impeachment do presidente do Paquistão

Porta-vozes afirmam que processo começa na próxima semana; Musharraf cancela viagem por temer destituição

Efe,

07 de agosto de 2008 | 06h13

Os partidos que formam a coalizão do governo do Paquistão alcançaram um acordo para iniciar o processo de impeachment do presidente do país, Pervez Musharraf. Segundo porta-vozes do Partido Popular do Paquistão (PPP), da ex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, e Liga Muçulmana-Nawaz (PML-N), do ex-premiê Nawaz Sharif, o processo de destituição deve ser iniciado na próxima semana.   Veja também: Musharraf cancela visita a Pequim por temer destituição   "Propomos que a Assembléia Nacional seja convocada em 11 de agosto", disse um oficial da coalizão à Reuters sob condição de anonimato. Os partidos chegaram a um acordo depois de três dias de negociações. Mais tarde, o líder da aliança polícia, Asif Alí Zardari, confirmou que a oposição vai iniciar os procedimentos para a destituição do presidente. "Temos boas notícias para a democracia. A coalizão acredita que é imperativo atuar para chegar ao impeachment do general Musharraf", afirmou Zardari durante entrevista coletiva.   É previsível que o processo de destituição de Musharraf, aliado importante dos EUA na guerra contra o terrorismo, aumente ainda mais a instabilidade política no país. Os dois partidos oposicionistas pressionam o presidente desde que chegaram ao poder, em fevereiro desde ano, após eleições legislativas realizadas com atraso e marcadas por sucessivos estados de emergência e pelo atentado que matou a ex-premiê Benazir Bhutto durante um comício eleitoral em dezembro.   Musharraf chegou aos poder há nove anos depois de um golpe de Estado que acabou com o governo de Sharif. O presidente cancelou sua viagem para a cerimônia da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, segundo confirmou o Ministério de Relações Exteriores paquistanês. O afirmação foi feito após o anúncio da oposição sobre o pedido de impeachment e Musharraf será substituído na festa pelo primeiro-ministro Yousaf Raza Gilani.   Nas eleições, o partido de Musharraf perdeu o controle do Parlamento, enquanto a popularidade do presidente despencou após sucessivas manobras para permanecer no poder - Musharraf destituiu juízes do Supremo que declararam sua reeleição ilegal. A decisão provocou uma onda de protestos que foi encerrada com a declaração do estado de emergência, quando Musharraf governou sem Constituição, durante semanas. O partido de Benazir foi o mais votado nas eleições, seguido pelo de Sharif, e foi formado um governo que apesar da coalizão, nunca foi estável. Sharif sempre deixou clara a intenção de afastar Musharraf.   Repercussão   O porta-voz do Departamento de Estado americano Gonzalo Gallegos declarou que o pedido de impeachment de Musharraf, aliado americano, é um assunto interno do Paquistão. "Temos dito de maneira consistente que a política interna do Paquistão é um assunto que o povo paquistanês deve decidir", afirmou Gallegos, de acordo com a agência de notícias France Presse.   (Matéria atualizada às 14h55)  

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