Colonos judeus declaram guerra à moratória israelense

Governo de Netanyahu suspendeu a construção de novos assentamentos na Cisjordânia por 10 meses

Efe,

01 de dezembro de 2009 | 16h10

Os colonos judeus declararam guerra nesta terça-feira, 1º, à suspensão de construções de assentamentos na Cisjordânia ocupada declarada pelo governo de Israel na semana passada e impediram a entrada nas colônias dos inspetores que supervisionam o cumprimento da medida.

 

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"Estamos nos organizando. Não estamos de acordo com a moratória e vamos nos opor a ela", disse Aliza Herbst, porta-voz do conselho de colônias, que acrescentou que "impedir a entrada dos inspetores nas comunidades é só o começo".

 

"Nossa mensagem fundamental é de que continuaremos construindo e que não respeitaremos esta ordem ilegal e ultrajante", assegurou Herbst, que advertiu que os colonos poderiam "reagir com ira se a provocação do governo continuasse" e anunciou que "haverá surpresas em breve para a administração de Benjamin Netanyahu", primeiro-ministro israelense.

 

O conselho, que representa as autoridades municipais dos assentamentos judaicos, convocou para o dia 9, em Jerusalém, uma manifestação contra a moratória decretada pelo Executivo israelense, que considera "ilegítima, imoral, racista e uma absurda

Capitulação".

 

Supervisores do Ministério da Defesa não puderam entrar em vários dos assentamentos para entregar ordens de suspensão das construções e para supervisionar se obras estavam sendo realizadas. Nas colônias de Har Gilo, Kiryat Arba e Karnei Shomron, os prefeitos da cidade lideraram os grupos de manifestantes que impediram a entrada dos inspetores. O acesso também não foi permitido aos residentes dos assentamentos de Yakir e Revava.

 

Segundo a imprensa israelense, no assentamento de Kiryat Arba, perto da cidade cisjordaniana de Hebron, foi registrado o primeiro foco de violência com um enfrentamento entre colonos e inspetores.

 

O governo israelense anunciou na quarta-feira uma moratória de dez meses na construção em colônias judaicas da Cisjordânia, com o objetivo de encorajar os palestinos a retomarem as negociações de paz. A limitação, no entanto, conta com exceções, já que não impede a construção nas colônias de Jerusalém Oriental, região considerada crucial para a retomada do diálogo com os palestinos.

 

As autoridades palestinas e organizações de direitos humanos consideram que as exceções fazem com que a medida seja insuficiente, enquanto a direita israelense e os colonos rejeitam plenamente a moratória e se negam a deixar de expandir as colônias.

 

Em vários assentamentos, como Neria, Adam ou Modiin Ilit, os colonos apressaram-se nestes dias a jogar cimento sobre o solo para simular falsas pavimentações e burlar, assim, a moratória, disse à Hagit Ofran, diretora do setor de Observação dos Assentamentos da ONG israelense Paz Agora.

 

O Ministério da Defesa contava até agora com apenas 14 inspetores para toda a Cisjordânia, mas anunciou que triplicará esse número nas próximas semanas.

 

Farsa

 

Segundo Uri Avnery, um dos fundadores do movimento pacifista Gush Shalom (Bloco da Paz), "todo israelense sabe que (a moratória) é uma farsa". "A construção continuará em todas as partes, com os funcionários oficiais colaborando e o Exército fechando os olhos. Argumentarão que as permissões de construção já estavam concedidas ou que os alicerces já foram colocados", afirma o ativista.

 

O Estado de Israel ocupou Jerusalém Oriental, Gaza e Cisjordânia na chamada Guerra dos Seis Dias, em 1967, e atualmente vivem em solo cisjordaniano cerca de 300 mil colonos judeus em mais de uma centena de assentamentos.

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