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Com 3 mulheres, Ahmadinejad apresenta novo gabinete

O presidente iraniano deve ter dificuldades para ratificar pelo menos cinco ministros propostos

Efe,

20 de agosto de 2009 | 08h51

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, apresentou ao Parlamento seu novo gabinete, que pela primeira vez na história da República Islâmica inclui três mulheres entre os ministros. O presidente deve ter dificuldades para ratificar o gabinete, da mesma forma que na sua gestão anterior, quando teve que mudar mais de dez ministros e vários outros foram reprovados pelo Parlamento. Assim deu a entender o vice-presidente da Câmara, Mohamad Reza Bahonar, em declarações divulgadas pela TV estatal. 

 

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"Alguns dos meus colegas e eu mesmo achamos que pelo menos cinco ministros propostos não receberão o voto de confiança", assinalou Bahonar, sem detalhar nomes. O deputado previu ainda que a maioria dos outros Ministérios será aprovada por uma margem estreita. Segundo o canal estatal PressTV, o líder entregou na quarta-feira, 19, à noite uma lista com 21 nomes ao Parlamento, que em três dias começará a examiná-la antes de dar o aval.

 

"Alguns dos meus colegas e eu mesmo achamos que pelo menos cinco ministros propostos não receberão o voto de confiança", assinalou Bahonar, sem detalhar nomes. O deputado previu ainda que a maioria dos outros Ministérios será aprovada por uma margem estreita.

 

Ahmadinejad elegeu um Governo renovado em que introduziu novas caras, como prometeu, e no qual se cercou de aliados. A principal novidade é a designação, pela primeira vez em 30 anos de história da República Islâmica, de três mulheres à categoria de ministra.

 

A deputada conservadora Fateme Ayorlu, de 43 anos, é sua opção para dirigir o Ministério de Bem-estar Social, e a ex-deputada Marzie Vahid Dastyerdi, ginecologista de 50 anos, para o Ministério da Saúde.

 

Além disso, Susan Keshvard, doutora em Filosofia, foi apontada para a pasta de Educação, apesar das reservas de alguns dos deputados.

 

Muitas dúvidas surgem também sobre a escolha do ex-vice-ministro de Comércio Massoud Mirkazemi para o Ministério do Petróleo, crucial em um país que guarda a terceira maior reserva comprovada do mundo.

 

Alguns analistas antecipam que a confirmação de Mirkazemi pode ser uma das mais difíceis, já que seu currículo parece não incluir uma ampla experiência técnica no setor, algo que sempre é pedido pelos deputados.

 

Ahmadinejad apostou, também, pela continuidade em outros postos de relevância como o Ministério de Assuntos Exteriores, no qual repete o atual chefe da diplomacia, Manouchehr Mottaki.

 

No Ministério do Interior indica seu antes ministro da Defesa, Mostafa Mohamad Najjar, enquanto para a vaga deixada por ele foi proposto o nome do general Ahmad Vahidi.

 

Além disso, elevou à categoria de ministro de Ciência, Pesquisa e Tecnologia Kamram Daneshjoo, chefe do comitê eleitoral nacional durante as eleições passadas.

 

Segundo a imprensa local, está previsto que o Parlamento comece suas deliberações em 23 de agosto e que uma semana depois aconteça a confirmação.

 

Ahmadinejad aparecerá na televisão pública para anunciar seu novo gabinete e explicar brevemente seu programa de Governo, como informou a agência oficial de notícias local "Irna".

 

Segundo a agência, o líder tinha previsto discursar na quarta-feira, mas problemas na agenda o obrigaram a adiar o comparecimento para esta quinta às 21h (13h30, Brasília).

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