Com al-Assad, Lula rejeita que 'não há solução' para o Oriente Médio

Presidente sírio defende cadeira para o Brasil na ONU e aprecia esforços do País

Tânia Monteiro, da Agência Estado

30 de junho de 2010 | 16h14

 

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 30, que recusa a tese de que "o Oriente Médio esteja fadado ao conflito" e de que seus filhos estejam "condenados a reviver a irracionalidade da guerra". As declarações do presidente foram feitas antes do almoço oferecido ao presidente da Síria, Bashar al-Assad, que visita o Brasil como parte de sua viagem pela América Latina.

 

Na avaliação do presidente, "não haverá reconciliação verdadeira se houver vencedores e vencidos". Lula disse que a busca pela paz é responsabilidade de todos e que tem urgência em ver a região pacificada, "com todos os povos vivendo em harmonia". Ele lembrou que foi esta a mensagem que transmitiu aos presidentes de Israel, Shimon Peres; da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas; do Irã, Mahmoud Ahmadinejad; e do Líbano, Michel Sleiman, quando estiveram no Brasil.

 

"Levei esta exortação à moderação e ao compromisso negociador em minhas recentes visitas a Tel Aviv, Ramallah, Amã, Doha e Teerã", prosseguiu Lula, acrescentando que "a paz no Oriente Médio é um dos pilares" do projeto no qual o Brasil quer ser parceiro.

 

Depois de salientar que "a Síria é um sócio indispensável na busca da pacificação" Lula afirmou que "esse conflito transcende as dimensões regionais e afeta o mundo inteiro", e ressaltou que "não se retomarão as negociações, sem o engajamento de todos".

 

Lula defendeu que a Síria seja "ouvida e envolvida" nas grandes discussões sobre o futuro do Oriente Médio. "Apoiamos o princípio da "terra por paz" para assegurar a devolução das Colinas de Golan à Síria", declarou Lula, em discurso redigido.

 

O presidente voltou a pregar a importância da existência de um Estado palestino independente, soberano, coeso e economicamente viável, que possa conviver em segurança e dignidade com Israel. "Isso só será possível com unidade e contamos com a Síria para ajudar a alcançar uma verdadeira reconciliação entre palestinos", declarou Lula, ao ressaltar que condenou a intervenção em Gaza, "da mesma forma que condena atos terroristas de qualquer espécie". Ele condenou também o incidente com a flotilha humanitária , atacada por israelenses em águas internacionais e disse que isso "mostra que é mais do que hora de suspender o bloqueio a Gaza".

 

Elogios

 

Já o presidente da Síria, Bashar al-Assad, disse ser "muito grato" a posição do Brasil em relação ao Oriente Médio, e elogiou a posição do presidente Lula, em favor da paz na região nos últimos oito anos, principalmente em relação à questão Palestina, "que é a questão mais importante para os árabes".

 

Al-Assad aproveitou para comparar a posição do Brasil na Guerra do Iraque em 2003 com a de agora, de tentar intermediar uma solução negociada para evitar sanções ao Irã, e elogiou a "boa intenção do Irã" de abrir a possibilidade de negociação em relação a troca de combustíveis nucleares.

 

O presidente sírio também acusou Israel de ser uma "ameaça à região". Segundo ele, "Israel sempre põe empecilhos para se chegar à paz" e reclamou do cerco que continua sobre Gaza. Por fim, al-Assad defendeu a presença do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU para que o órgão seja mais equilibrado e possa corrigir grandes erros.

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