Com apoio dos EUA, Israel vota cessar-fogo no sábado

Estado judeu pode terminar operação em Gaza unilateralmente, com respaldo contra rearmamento do Hamas

Agências internacionais,

16 de janeiro de 2009 | 16h24

O governo israelense votará no sábado, 17, uma proposta de cessar-fogo unilateral com o Hamas na Faixa de Gaza, informou o jornal Haaretz nesta sexta-feira. A decisão significa que Israel poderá terminar sua operação militar na região sem um acordo com o Hamas, contando com o apoio dos Estados Unidos e do Egito para combater o contrabando de armas na fronteira.   Veja também: Sem acordo, Hamas ameaça cometer ataques suicidas Para Israel, guerra em Gaza está entrando no 'ato final' Hamas abriu fogo de dentro de prédio da ONU, acusa premiê Ministro do Interior do Hamas foi morto, dizem israelenses Invasão já deixou US$ 1,4 bilhão em prejuízos Conflito em Gaza vira guerrilha urbana  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques        Mais cedo, a secretária de Estado americana Condoleezza Rice e a ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, assinaram um acordo para tentar acabar com o contrabando, feito através de túneis, e impedir o rearmamento da milícia palestina. "O contrabando de armas em Gaza tem de acabar", afirmou Livni. "O memorando de entendimentos que firmamos hoje é um ingrediente vital para o fim das hostilidades", continuou a chanceler israelense.   Tzipi Livni e Condoleezza Rice assinam acordo em Washington. Foto: Efe   Se o Gabinete de Segurança israelense aprovar a proposta, Israel não se veria obrigado a respeitar nenhuma das condições exigidas pelo Hamas para trégua, como o fim do bloqueio de Gaza. Segundo funcionários do governo israelense, a decisão de submeter o plano à votação foi adotado depois que o governo de Israel chegou à conclusão de que cumpriu "a maioria dos objetivos" em Gaza.   Nesta sexta, o líder do Hamas, Khaled Meshal, disse que o movimento islâmico não aceita as condições de Israel para uma trégua. "Eu asseguro: apesar de toda a destruição em Gaza, não aceitaremos as condições de Israel para um cessar-fogo", disse ele em Doha, capital do Catar, onde participa de uma reunião de cúpula regional sobre a crise em Gaza.   O encontro em Doha demonstrou como a ofensiva israelense, iniciada em 27 de dezembro, aumentou as divisões entre os países do Oriente Médio entre os partidários dos Estados Unidos e os aliados do Hamas, como Síria e Irã. O Egito e a Arábia Saudita, mais próximos dos EUA, boicotaram o evento, temendo que ele se tornasse uma plataforma para o Hamas endurecer sua postura e minar a proposta egípcia para um cessar-fogo. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fez uma aparição surpresa no encontro realizado no Catar, fortalecendo a imagem de que o evento era destinado a demonstrar apoio ao Hamas. Em um discurso durante a reunião, o presidente da Síria, Bashar Assad, apoiou o pedido de Meshal para que os países com algum laço com Israel rompessem esse vínculo. Israel exige o fim do lançamento de foguetes em seu território e garantias apoiadas pela comunidade internacional de que o Hamas não se rearmará. Por sua vez, Meshal disse que um cessar-fogo de seis meses não foi renovado no fim do ano pois o período de relativa paz não levou Israel a abrir as fronteiras da Faixa de Gaza. "(O povo de Gaza) quer viver livre sem bloqueio ou ocupação, como todo o povo palestino", defendeu o líder do Hamas.   Operação contínua   As forças israelenses poderiam continuar em Gaza após o eventual cessar-fogo unilateral entrar em vigor, afirmou uma fonte do governo israelense à agência France Presse. Segundo a fonte, que pediu anonimato, Israel acredita que o Hamas cessará os ataques, mas "se decidirem abrir fogo, não hesitaremos em responder e reiniciar a ofensiva", acrescentou.   Em três semanas, a operação militar israelense em Gaza já deixou mais de 1,1 mil mortos no território palestino. Do lado de Israel, treze morreram. O Estado judeu afirma que age em defesa própria, após contínuos ataques de foguetes palestinos contra Israel depois de uma trégua entre as partes expirar.   (Matéria atualizada às 18h15)  

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