Brendan Smialowski/AP
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Com foco no Egito, Hillary faz primeira visita a Israel desde 2010

Queda de Hosni Mubarak deixou dúvidas sobre se país manterá boas relações com vizinho

Reuters

16 de julho de 2012 | 09h47

TEL-AVIV - A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, discutirá na segunda-feira, 16, com autoridades israelenses a turbulenta situação política do Egito, o programa nuclear do Irã e o paralisado processo de paz entre Israel e os palestinos.

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Na sua primeira viagem a Israel em 22 meses -apenas a quarta visita em mais de três anos como secretária-, Hillary deve tratar principalmente da transição política no Egito, onde o presidente islâmico Mohamed Morsi tomou posse há duas semanas.

A queda do presidente Hosni Mubarak no ano passado fez muitos israelenses se perguntarem se o Egito, primeiro país árabe a selar a paz com Israel, em 1979, irá manter as boas relações com o vizinho.

Antes de chegar a Israel, Hillary esteve no Egito, onde se reuniu no sábado com Morsi, ex-integrante do grupo Irmandade Muçulmana. Ele disse a ela que o seu país irá respeitar tratados internacionais previamente assinados.

Hillary também se reuniu com o marechal Hussein Tantawai, chefe do conselho militar que assumiu o poder após a deposição de Mubarak, e que agora disputa influência com Morsi.

"No topo (da agenda de Hillary) estarão suas impressões e avaliações sobre os últimos dois dias que ela passou no Egito", disse uma autoridade dos EUA a jornalistas, pedindo anonimato.

"Ela está trazendo uma mensagem muito tranquilizadora", disse Danny Ayalon, vice-chanceler israelense, a uma rádio local, acrescentando que Israel trata a situação no Egito como "uma agenda local".

Na avaliação de Ayalon, Morsi tem como prioridade recuperar a economia egípcia e resolver disputas internas. "Não há mudança (no compromisso do Egito com o tratado de paz), e na minha estimativa não haverá (mudança) num futuro visível."

O funcionário dos EUA que falou à imprensa disse que o programa nuclear iraniano também deve ser objeto de longas discussões entre Hillary e os israelenses.

Os EUA e seus aliados suspeitam que o Irã esteja desenvolvendo armas atômicas clandestinamente, algo que Teerã nega, alegando que seu programa nuclear se destina exclusivamente a fins pacíficos.

Israel ameaça atacar instalações nucleares iranianas, mas os EUA, embora tampouco descartem a opção militar, dizem que é preciso dar mais tempo para que a pressão diplomática e as sanções induzam Teerã a abdicar das suas ambições nucleares.

"Com as negociações com o Irã paralisadas e a autodeclarada janela de Israel para a ação se fechando, os EUA sem dúvida sentem a necessidade de fazer os israelenses cerrarem fileiras com Washington, por meio de um envolvimento de alto escalão", disse Rob Danin, analista do Conselho de Relações Exteriores e também assessor do ex-premiê britânico Tony Blair, representante do chamado Quarteto de Mediadores do Oriente Médio, formado por EUA, Rússia, União Europeia e ONU.

 

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