Comandante iraniano critica governo por influência do Ocidente

O comandante da influente Guarda Revolucionária do Irã acusou o governo de estar sob a influência de ideias ocidentais e, por isso, precisa passar por uma mudança fundamental.

ISABEL COLES E MARCUS GEORGE, Reuters

11 de dezembro de 2013 | 10h47

Os comentários do general Mohammad Jafari estão entre os mais duros feitos em público por uma autoridade de alto escalão desde que o clérigo moderado Hassan Rouhani assumiu a Presidência, em agosto, se comprometendo a melhorar as relações do Irã com os países da região e o Ocidente.

A iniciativa diplomática do governo de Rouhani levou a um acordo com seis potências mundiais no mês passado, pelo qual o Irã se comprometeu a restringir seu controverso programa nuclear em troca de um alívio de sanções que atrofiam a economia.

O acordo vem sendo amplamente elogiado por iranianos no país e no exterior, mas os linhas-duras na estrutura de poder, formada por várias instâncias, estão irritados com a mudança na política externa e alertam contra os perigos da excessiva aproximação do Ocidente.

"Os militares, os sistemas e procedimentos de controle do sistema administrativo do país são os mesmos de antes, mas têm sido levemente modificados e, infelizmente, afetados pela doutrina ocidental, e é preciso que ocorra uma mudança fundamental", disse Jafari na terça-feira, segundo a agência de notícias iraniana Fars.

Os comentários de Jafari, comandante-chefe da Corporação da Guarda Revolucionária Islâmica, são uma amostra dos desafios que Rouhani enfrenta para buscar um acordo nuclear e melhorar as relações externas sem provocar uma perigosa reação dos poderosos grupos conservadores.

Jafari também criticou o comentário que o ministro de Relações Exteriores, Javad Zarif, teria feito, de que o Irã estava militarmente fraco.

Segundo a mídia local, Zarif disse na semana passada que o Ocidente tinha pouco medo das defesas militares do Irã e poderia destruí-las, se quisesse, embora Zarif tenha dito depois que sua declaração foi distorcida e tirada de contexto.

"Nós o consideramos um diplomata experiente, mas ele não tem experiência no campo militar", disse Jafari na terça-feira, referindo-se a Zarif, segundo a Fars.

Jafari estava respondendo a uma pergunta sobre se as forças dos EUA poderiam destruir a capacidade militar do Irã somente com algumas bombas.

"Isso não é provável, de modo algum. Ele não tem nenhuma experiência militar ou conhecimento", disse Jafari durante uma visita à Universidade Imam Sadiq, em Teerã.

Jafari também pareceu desconsiderar recentes pedidos de que a Guarda fique fora da política, ao dizer que sua obrigação é proteger a Revolução Islâmica.

"A principal ameaça à revolução está na arena política e a Guarda não pode permanecer em silêncio diante disso", afirmou.

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