Comandante mais procurado do Hezbollah é morto na Síria

Imad Moughniyah, um dirigentedo Hezbollah que constava da lista norte-americana dosterroristas mais procurados sob a acusação de ter realizadoataques contra alvos israelenses e ocidentais, morreu naexplosão de uma bomba em Damasco, afirmou na quarta-feira ogrupo libanês. O Hezbollah acusou prontamente Israel de ter assassinadoMoughniyah, chefe da rede de segurança do grupo durante aguerra civil no Líbano (1975-1990). Na Faixa de Gaza, o Hamas,um grupo islâmico, conclamou o mundo árabe a unir-se contraIsrael. O governo israelense negou envolvimento no caso,considerado um duro golpe para o Hezbollah. Moughniyah, 45, foi morto na noite de terça-feira quandouma bomba plantada em seu carro explodiu. O militante constavahavia muito tempo da lista de estrangeiros que Israel desejavamatar ou prender. Os EUA ofereciam uma recompensa pela capturadele. O líder do Hezbollah teria participado de atentados a bombacontra a Embaixada dos Estados Unidos em Beirute e contraalojamentos de fuzileiros norte-americanos e de forças de pazfrancesas localizados na mesma cidade, matando no total mais de350 pessoas. Moughniyah teria se envolvido também no sequestro deocidentais no Líbano na década de 80. Os EUA indiciaram-no ainda por sua participação noplanejamento e na execução do sequestro, em 14 de junho de1985, de um avião da companhia aérea TWA e pelo assassinato deum passageiro norte-americano. O Hezbollah, que conta com o apoio da Síria e do Irã,comunicou o assassinato do líder militante e convocou seussimpatizantes para o funeral dele, a ser realizado naquinta-feira. "Após uma vida dedicada à jihad, uma vida de sacrifícios econquistas, Haj Imad Moughniyah morreu como um mártir pelasmãos dos sionistas israelenses", afirmou o Hezbollah, quetravou uma guerra de 34 dias contra Israel, no Líbano, em 2006. O conflito começou após o Hezbollah ter realizado uma açãoatravés da fronteira capturando dois soldados israelenses.Segundo serviços de inteligência de Israel, Moughniyahcontribuiu para o planejamento dessa ação. ATENTADO NA ARGENTINA O governo israelense também acusa Moughniyah de terarquitetado os atentados a bomba de 1994 contra um centrojudaico de Buenos Aires, no qual morreram 87 pessoas, e de terparticipado do atentado de 1992 contra a Embaixada de Israel namesma cidade, no qual morreram outras 28 pessoas. "Ele não era alvo apenas de Israel, mas também dosnorte-americanos e de várias outras agências", afirmou, à RádioIsrael, Danny Yatom, ex-chefe do Mossad (serviço secretoisraelense). "Ele era um dos terroristas com o maior número deagências de inteligência e de serviços de segurança estatais àprocura dele." Moughniyah sempre se mostrou um alvo bastante difícil deser acompanhado, afirmou Yatom, descrevendo a morte dele comoum duro golpe para o Hezbollah. "Ele agiu com extrema cautela ao longo de vários anos. Eraimpossível obter uma foto dele. Ele nunca aparecia ou falavadiante das câmeras dos meios de comunicação." Acreditava-se que Moughniyah fosse o comandante da JihadIslâmica, um grupo pró-iraniano pouco conhecido que surgiu noLíbano no começo dos anos 80 e que teria ligações com oHezbollah. A Jihad Islâmica sequestrou vários ocidentais, entre osquais norte-americanos, na Beirute da metade daquela década. O grupo matou alguns de seus reféns e trocou outros peloenvio de armas norte-americanas para o Irã em meio ao que ficoumais tarde conhecido como o escândalo Irã-Contras. Entre osmortos, estava o chefe do escritório da CIA na capitallibanesa. "Israel rejeita os esforços feitos por elementosterroristas para atribuir a Israel qualquer envolvimento nesseincidente," afirmou o gabinete do primeiro-ministro israelense,Ehud Olmert, em um comunicado. O governo de Israel quase nunca confirma ou nega seuenvolvimento em assassinatos cometidos fora de seu território.Em 1992, helicópteros do país mataram Sayyed Abbas Moussawi,que antecedeu Sayyed Hassan Nasrallah no comando do Hezbollah. Um irmão de Moughniyah morreu na explosão de um carro-bombaem Beirute, em 1994. Relatos surgidos então indicavam que Imadteria sido o alvo original daquela ação. Moughniyah passou grande parte dos anos 90 no Irã, tendovisita Beirute poucas vezes. (Reportagem adicional de Adam Entous e Ari Rabinovitch emJerusalém)

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