Combatentes curdos iraquianos se unem a batalha contra Estado Islâmico na Síria

Combatentes iraquianos peshmerga chegaram ao sudeste da Turquia nesta quarta-feira, a caminho da cidade síria de Kobani, para tentar ajudar companheiros curdos a derrubar o cerco feito pelo Estado Islâmico, que resiste aos ataques aéreos liderados pelos EUA. 

DASHA AFANASIEVA E ALEXANDER DZIADOSZ, REUTERS

29 de outubro de 2014 | 09h43

Kobani, próxima à fronteira com a Turquia, tem sido alvo de uma implacável ofensiva de militantes do Estado Islâmico há mais de um mês e seu futuro é um teste para a capacidade da coalizão liderada pelos EUA de combater os insurgentes radicais sunitas. 

Semanas de ataques aéreos sobre posições do Estado Islâmico nos arredores de Kobani, e as mortes de centenas de jihadistas, não foram o suficiente para quebrar o cerco. Curdos-sírios e seus aliados internacionais esperam que a chegada dos peshmerga, junto com suas armas mais pesadas, podem mudar o cenário.

Um avião da Turkish Airlines tocou o solo da cidade de Sanliurfa, no sudeste turco, na madrugada (horário local), em meio a forte esquema de segurança, disse uma testemunha da Reuters. Um comboio de ônibus brancos escoltado por veículos blindados e carros da polícia deixou o aeroporto pouco após. 

“Eles estarão em nossa cidade hoje”, disse Adham Basho, membro do Conselho Nacional Curdo Síria de Kobani, sobre os peshmerga, confirmando que um grupo com entre 90 e 100 combatentes havia chega a Sanliurfa. 

Um outro grupo de peshmergas está viajando para a região fronteiriça turca por terra com armamentos mais pesados. Um canal curdo de televisão mostrou um vídeo com o que disse ser um comboio peshmerga de veículos carregados com armas a caminho de Kobani. 

Saleh Moslem, co-presidente do Partido da União Democrática Curdo-Síria (PYD), disse que os peshmerga devem entrar em Kobani, conhecida em árabe como Ayn al-Arab, na noite de quarta-feira (horário local) e que eles levariam armamento pesado com eles. 

“É principalmente artilharia ou armas antitanques e antiblindados”, disse ele, acrescentando que o equipamento deve ajudar combatentes curdo-sírios a repelir insurgentes do Estado Islâmico que têm utilizado veículos blindados capturados em ofensivas anteriores. 

O Estado Islâmico causou alarme internacional após ter capturado grandes faixas territoriais no Iraque e na Síria, declarando um “califado" islâmico e ignorando as fronteiras entre os dois países, além de massacrar e expulsar muçulmanos xiitas, cristãos e outras comunidades que não compartilham suas crenças radicais do Islã sunita. 

(Reportagem adicional de Isabel Coles em Arbil, Omer Berberoglu e Sasa Kavic em Sanliurfa, Tom Perry em Beirute)

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