Combatentes entram em Bani Walid, reduto de Gaddafi

As forças do novo governo líbio entraram na sexta-feira em uma das últimas cidades leais a Muammar Gaddafi, onde travaram batalhas rua a rua.

MARIA GOLOVNINA E SHERINE EL MADANY, REUTERS

09 Setembro 2011 | 17h37

"Eles (combatentes anti-Gaddafi) estão no norte da cidade enfrentando os franco-atiradores. Também entramos pelo leste", disse Abdallah Kanshil, membro do Conselho Nacional de Transição (CNT), falando dos arredores de Bani Walid, cidade que fica 150 quilômetros a sudeste de Trípoli, no deserto.

Os outros únicos lugares ainda controlados pelas forças pró-Gaddafi são Sirte, cidade natal do governante deposto, no litoral, e Sabha, uma remota localidade no deserto. O governo provisório líbio deu até sábado para que esses lugares se rendam, mas Kanshil disse que a ocupação de Bani Walid foi antecipada para proteger os civis.

Ele disse que as forças pró-Gaddafi aparentemente receberam reforços recentemente, e que seu contingente está em torno de 600 homens. Segundo Kanshil, os combates já deixaram um morto e quatro feridos no lado do CNT, e três mortos e três feridos no lado de Gaddafi. Sete partidários do antigo regime foram detidos, acrescentou.

"Eles (combatentes do CNT) estão envolvidos em combates de baixa intensidade com as brigadas de Gaddafi, estamos avançando", afirmou.

Antes, os seguidores de Gaddafi dispararam foguetes Grad contra seus inimigos ao norte de Bani Walid e a leste de Sirte, segundo testemunhas da Reuters. O CNT disse que também enviou comboios de combatentes para o sul, na direção de Sabha.

Ultimatos anteriores pela rendição das cidades pró-Gaddafi já haviam sido prorrogados anteriormente para permitir negociações com os líderes locais, naquilo que pode ser o capítulo final de uma guerra civil que já dura seis meses.

Perto de Bani Walid, ambulâncias iam e vinham com feridos. Combatentes do CNT apanhavam cestas com granadas e morteiros e corriam para a linha de frente.

Em Teassain, 90 quilômetros a leste de Sirte, testemunhas da Reuters viram violentas trocas de disparos com foguetes entre os dois lados.

A localização de Gaddafi, que passou 42 anos no poder, continua sendo um mistério. Num desafiador pronunciamento na quinta-feira, ele disse que permanece na Líbia, pronto para liderar a resistência contra os "ratos" e "cães vadios" que o expulsaram da capital em agosto.

Somando-se à caçada por Gaddafi, a Interpol emitiu um mandado de prisão contra ele, contra seu filho Saif al Islam e contra o ex-chefe de inteligência Abdullah al Senussi, todos eles procurados pelo Tribunal Penal Internacional devido a supostos crimes contra a humanidade.

Quatro altos funcionários do antigo regime, inclusive o comandante da Força Aérea de Gaddafi e um general encarregado das suas forças do sul, estão entre um novo grupo de líbios que fugiu para o vizinho Níger, segundo autoridades nigerinas.

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