Goran Tomasevic/Reuters
Goran Tomasevic/Reuters

Combatentes líbios ajudam rebeldes na Síria

Intenção é treinar e organizar os insurgentes na luta contra Assad

Reuters

14 de agosto de 2012 | 14h19

BEIRUTE - Combatentes veteranos da guerra civil do ano passado na Líbia chegaram à linha de frente na Síria, ajudando a treinar e organizar os rebeldes sob condições muito mais terríveis do que aquelas da batalha contra Muamar Kadafi, disse um combatente líbio-irlandês. Hussam Najjar é de Dublin, tem pai líbio e mãe irlandesa e atende pelo nome de Sam.

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Atirador de elite treinado, ele fazia parte da unidade rebelde que invadiu o complexo de Kadafi em Trípoli há um ano, liderada por Mahdi al-Harati, chefe de milícia poderoso das montanhas do oeste da Líbia.

Harati agora lidera uma unidade na Síria, formada principalmente por sírios, mas também incluindo alguns combatentes estrangeiros, com 20 membros sêniores da sua própria unidade rebelde líbia. Ele pediu a Najjar para acompanhá-lo há alguns meses, contou Najjar.

Os líbios que ajudam os rebeldes sírios incluem especialistas em comunicação, logística, questões humanitárias e armas pesadas, disse. Eles operam bases de treinamento, ensinam ginástica e táticas de batalha.

Najjar contou que ficou surpreso ao descobrir quão pobremente armados e desorganizados eram os rebeldes sírios, descrevendo a maioria muçulmana sunita da Síria como muito mais reprimida e oprimida sob Assad do que os líbios eram sob o regime de Kadafi. "Fiquei chocado. Não há nada que te digam que possa prepará-lo para o que você vê. O estado dos muçulmanos sunitas lá, seu estado de espírito, seu destino, todas essas coisas foram lentamente corroídas ao longo do tempo pelo regime."

"Eu quase chorei por eles quando vi as armas. As armas são absolutamente inúteis. Estão sendo vendidas sobras da guerra do Iraque, sobras disso e daquilo", disse ele. "Felizmente, estas são coisas que podemos fazer por eles: sabemos como consertar armas, como mantê-las, encontrar problemas e consertá-los."

Nos meses seguintes a sua chegada, o arsenal rebelde se tornou "cinco vezes mais poderoso", contou ele. Os combatentes tinham armas antiataque aéreo de grande calibre e rifles de precisão.

A desorganização é um problema sério. Ao contrário dos combatentes líbios, que desfrutaram da proteção de uma zona de exclusão aérea imposta pela Otan e foram capazes de criar campos de treinamento de grande escala, os rebeldes na Síria nunca estão fora do alcance do poder aéreo de Assad.

"Na Líbia, com a zona de exclusão aérea, fomos capazes de treinar digamos 1.400 a 1.500 homens em um lugar e ter pelotões e brigadas. Aqui temos homens espalhados aqui e acolá."

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